Novas formas de contar e a pulsante paisagem sonora em “Carlabê”
Isabela Noronha, autora de Carlabê (Renato Parada/Divulgação/Companhia Das Letras)
Páginas e páginas já foram escritas dando o atestado de óbito do romance como o conhecemos. Para a causa mortis, os diagnósticos são os mais variados, indo de fórmulas saturadas a temas esgotados, passando pelo excesso de autocentrismo, por um lado, e pela exagerada preocupação social, por outro. E, no entanto, esse lépido moribundo segue por aí, ainda que mal das pernas, insistindo em uma produção, ao menos no caso do Brasil, variada, diletante, nem sempre perfeita, mas com resultados interessantíssimos – e, muitas vezes, fundamentais para que seja possível pensar numa identidade nacional.
Carlabê, segundo romance da mineira Isabela Noronha, é uma prova de que há meios de se reinventar, sim, o romance, tanto por um uso inovador da linguagem quanto por focar em um tema que costumava estar distante da atenção literária. Mais do que isso, é também um tijolo importante na construção contínua de uma ideia de Brasil tão absurdamente plural que, se tem se renovado com representações fundamentais do interior, como Torto arado e Mata doce, dos baianos Itamar Vieira Junior e Luciany Aparecida, e de A cabeça do santo, da cearense Socorro Acioli, também dá lugar a livros urbanos fundamentais, como Os supridores, do gaúcho José Falero, e O céu para os bastardos, da paulista Lilia Guerra.
A partir de uma sinopse aparentemente simples, um tanto misteriosa, mas cujos fios vão se desenrolar de um jeito não apenas surpreendente, como também polifônico – expressão que pode mesmo ser lida de forma literal –, Isabela Noronha traz uma novi
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