No arquivo da escravidão, na pasta amarela de Pizarnik e em outros lugares

No arquivo da escravidão, na pasta amarela de Pizarnik e em outros lugares
“Como é possível contar a história de uma emancipação elusiva e de uma liberdade mascarada?”– é o que se pergunta Saidiya Hartman em Cenas da sujeição. Publicado em versão ampliada nos 25 anos de seu lançamento, o livro mergulha nos paradoxais arquivos da escravidão para mostrar que, mesmo após a abolição, as características fundamentais do período escravista mantiveram-se praticamente inalterados, chegando desse modo aos dias de hoje. Hartman encara o arquivo – tanto produto do processo técnico de arquivamento quanto meio de construir significados em torno de determinados textos – e vê nele os interesses que moldam e determinam o enredo da história. Reivindicando-o, escreve narrativas diferentes do passado, “escovando a história a contrapelo” para escavar nas margens da história o contra-arquivo, apontando formas de conhecimento e práticas consideradas ilegítimas de pesquisa histórica. Ao atentar-se ao silêncio e às ausências produzidas pelo arquivo, a autora se esforça para decifrar os idiomas de poder da escravidão, iluminando as incontáveis formas pelas quais os escravizados desafiam a condição de escravização e seu “ordenamento e negação à vida”. Hartman constrói sua “genealogia da recusa” em duas partes: em “Formações do terror e do gozo”, ela examina os espetáculos de blackface, o uso da violência sexual e as estratégias empregadas pelos escravizados para criar zonas de liberdade na dominação; em “O sujeito da liberdade”, detalha como os aparatos da escravidão sobreviveram após a aboli

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