Nem todo eleitor de Bolsonaro é fascista. Mas o que isso significa?

Nem todo eleitor de Bolsonaro é fascista. Mas o que isso significa?
O que levaria um não fascista a votar em um candidato fascista? (Arte Revista CULT)

 

Nem só de fascistas se faz o bolsonarismo

Diante de uma crítica a aspectos fascistas das ideias e práticas de Bolsonaro, um amigo (nem sei mais) reagiu indignado: “Nem todo eleitor de Bolsonaro é fascista”. Na hora, a única coisa que me ocorreu foi dizer que, sim, era bem possível que nem todo bolsonarista seja fascista, mas cabia a ele explicar por que, não sendo tal, votava em um candidato com muitas ideias nitidamente fascistas. O que levaria um não fascista a votar em um candidato fascista?

Refletindo um pouco mais, acho que o meu amigo expressou uma posição mais complexa do que eu consegui enxergar em um primeiro instante. Claro que há eleitores que votam em Bolsonaro por convergência ideológica com os pontos de vistas, que aqui estamos sintetizando e simplificando no fascismo. No fundo, tratam-se de juízos sobre ditadura e Estado de direito, homossexuais, violência policial, mulheres, negros, índios, quilombolas e outras minorias políticas que são absolutamente incompatíveis com premissas liberais, humanistas e/ou democráticas sobre respeito, tolerância, igualdade, liberdades civis e compaixão. Tendemos a fazer uma analogia com o fascismo e o nazismo por tratar-se de dois episódios históricos em que houve adesão massiva (quer dizer, popular) a ideias e práticas baseadas em intolerância, desrespeito a minorias, afirmação da superioridade de uns sobre os outros, supressão de direitos, garantias e liberdades, militarismo, forte sentimento antipolítica e antissistema e vínculo forte da massa popular ao líder carismático.

Ora, muitos bolsonaristas votam em Bolsonaro por causa da sua defesa dessas ideias. Portanto, por afinidade de valores. E, neste caso, me incomoda menos Bolsonaro que o bolsonarismo. Bolsonaro é só o poste do antipetismo e dos ultraconservadores. É ele, mas podia ser outro. Para o bolsonarismo tanto faz se o eleito for Bolsonaro, Mourão, Moro ou Mourinho, desde que o PT seja surrado e a agenda ultraconservadora, que chamamos de fascista por justificada analogia, seja a vencedora.

Mas o que meu amigo quis dizer é que há também um grande número eleitores de Bolsonaro que não compartilha de tais premissas (ou não as compartilha plenamente) e que, não obstante, não tem a menor hesitação sobre em quem votará este ano. E já no primeiro turno. Este mesmo amigo não se conforma que as filhas sequer cogitem votar no seu candidato e fica escandalizado com as “fake news” que elas compartilham dizendo que o deputado incentiva o estupro.

Nenhuma candidatura é monolítica

Como isso pode ser possível? Meu amigo tem uma resposta na ponta da língua, que ele considera definitiva, lacradora: Se nem todo mundo que vota no PT é corrupto, nem todo mundo que vota em Bolsonaro é fascista. O que ele está sugerindo é que as pessoas são capazes de sopesar, na escolha de um candidato, entre as razões de voto e as razões para não votar e, uma vez que decide que há razões suficientes para votar, isola e ignora as razões para não votar. É verdade que, por anos, o voto no PT na disputa presidencial veio de muita gente que não apreciava a baixíssima convicção republicana do partido, ou a sua paixão pelo clientelismo e pelo patrimonialismo. E isso tudo antes mesmo de se tornar pública e notória a dimensão da sua entrega à corrupção. Votaram no PT por causa das suas políticas públicas e pelo seu alinhamento com princípios progressistas e democráticos, mas também para evitar que prosperassem as alternativas que se apresentaram na disputa eleitoral. Mas nem por isso tais eleitores relutantes do PT foram às urnas para referendar os maus costumes dos petistas no poder, para sufragar os enormes esquemas de clientelismo e corrupção que eles geriam ou de que se beneficiavam. Como sugeri muitas vezes durante uma década, tapava-se o nariz e se votava no PT.

O que está sugerido aqui é que você pode ser petista e isolar-se da corrupção, assim como pode ser bolsonarista e isolar-se do fascismo. Assim, na sua representação da política, o bolsonarista pode não ser fascista, assim como o petista pode não ser corrupto, se votar no seu candidato ignorando a dimensão dele que não aprova. A analogia é astuta e não pensem que não funcione, retoricamente, para atenuar a consciência moral do bolsonarista. Sim, ele sabe que Bolsonaro pensa e diz (provavelmente, diz sem pensar, segundo ele) coisas fascistoides, mas ao votar no deputado ele não precisa endossar tais ideias, uma vez que esta não é a sua principal razão de voto. Vota em Bolsonaro porque ele é antipetista e votaria sem hesitação no diabo que fosse para evitar uma vitória do PT. É simples assim.

Falsas simetrias

A analogia com o voto no PT é sugestiva, mas é realmente sustentável? Primeiro, quem votou no PT tinha, de fato, alguma agenda positiva para escolher, mesmo quando não aprovava os seus maus costumes no atinente à condução da coisa pública. E havia sobejas evidências de que o PT entregava efetivamente alguma coisa substantiva à sociedade, como se viu nas duas administrações de Lula e em parte da primeira administração de Dilma Rousseff. Quem votou no PT pode fazer escolhas materiais e consistentes por um projeto e uma agenda. Foi quem preferia as políticas públicas do PT que o elegeu, uma eleição após outra, e não um presumível sentimento antitucano, um discurso de ódio ao PSDB ou a louca vontade de destruir o seu grande adversário de duas décadas de política nacional. Quem vota em Bolsonaro, mas não compartilha as suas ideias fascistas, por sua vez, não vota por qualquer razão material ou substantiva, não está preferindo qualquer política pública construtiva e que faça sentido. Aliás, fora as bravatas, o oportunismo do Posto Ipiranga e a pauta moral fascista, em que consistiria a alternativa bolsonarista, em termos de política pública, para o país? Nada. Absolutamente nada. Se você não é fascista, Bolsonaro nada tem para lhe oferecer. Bolsonaro é um vazio político, um oco recoberto por retórica e empacotado por promessas de ações ultraconservadoras.

Resta, então, que a pessoa o está escolhendo pelo “não”. Você não quer B, C, D ou E. Quer simplesmente o Não-A. Bolsonaro é só o não-PT e a única esperança eleitoral real de que o PT pode ser derrotado. O que vem depois do “não”, não importa a este ponto. Se não for o PT, então tem que ser melhor que o PT. O raciocínio é simples e é potencialmente louco, mas é mais eficiente do que pode imaginar a nossa vã Lógica e, a este ponto, inútil Filosofia.

Em segundo lugar, quem votou no PT não apenas tinha algo substantivo para escolher, mesmo em face dos defeitos do partido, como também não tinha conhecimento do nível de comprometimento do partido com a corrupção. Quem vota em Bolsonaro, e não é ou não se acredita fascista, não apenas não está escolhendo substância política alguma, como tem pleno conhecimento de quem é Bolsonaro, do que ele pensa, de quem são as pessoas com quem anda e que o apoiam. Não há segredo. Além disso, Bolsonaro sequer tem experiência administrativa para mostrar, sequer tem êxito legislativo ou político para colocar no seu portfólio, não tem absolutamente nada, então, para despistar a sua falta de substância ou para nos distrair da nitidez fascista das suas ideias. Tudo o que Bolsonaro é são as suas ideias, a sua retórica e os traços da sua personalidade. Quem disser que está buscando alguma coisa além disso, estará mentindo (e na verdade isto é exatamente o que procura) ou está alucinado, de tal maneira envenenado pela obsessão antipetista que não se importa com valores ou com consequências.

O dilema faustiano

Mas, enfim, aí é que está o problema do meu amigo. Ele pode não ser fascista ou não se achar fascista, mas está, faustianamente, endossando o fascismo para conseguir saciar a sua obsessão antipetista. O preço é muito alto – para ele, para o país, para as filhas que tanto ama -, mas ele não se importa de pagar. E, pelo ânimo furioso com que tem se comportado, depreende-se que mais ainda pagaria se necessário fosse, desde que o PT não ganhe esta eleição.

Temos, então, um pai apaixonado por suas filhas que é capaz de eleger um candidato que despreza mulheres, que será um obstáculo confesso na reivindicação delas por igualdade e por respeito (tenham em mente o que o candidato pensa sobre estupro), e que faz tudo isso por estar obcecado pelo propósito de evitar a vitória do petismo, de tal modo que nada mais importa. Nem entregar um país que responda mais adequadamente aos interesses das suas filhas.

Se o meu amigo bolsonarista não fascista não considera no seu voto a responsabilidade de entregar um mundo mais justo com e mais respeitoso para as suas meninas, não se incomodará tampouco com o que acontecerá com negros, homossexuais e outras minorias em um eventual governo de Bolsonaro. Para você é aterrorizante a ideia de entregar o país a um sujeito que defende a tortura como método policial, que sustenta que os militares que torturaram e mataram quem desafiava o regime de 1964 deveriam ser recompensados e não punidos, que dedica um voto público no plenário da Câmara dos Deputados ao primeiro militar reconhecido pela Justiça brasileira como torturador durante a ditadura, que admite em entrevista a uma rede de televisão que o seu livro de cabeceira foi escrito pelo comandante do principal órgão de repressão política durante os anos de chumbo? Bem, você não está sozinho. Apenas uma dessas afirmações deveria ser capaz de liquidar uma candidatura na quase totalidade do mundo civilizado.

Pois o meu amigo bolsonarista não fascista ojeriza mesmo ele tem é do Partido dos Trabalhadores e se o preço para isso for eleger um sujeito que sustente tais ideias monstruosas, ele não hesitará em pagá-lo. O meu amigo não fascista não se importa com ideias, nem com as ideias do seu candidato e em como ideias devem se materializar em comportamentos e em políticas. Nem com o fato de que a malta bolsonarista que tomaria posse com o seu eleito tornaria o Brasil ainda mais perigoso para minorias (inclusive para as suas filhas), para quem defende direitos humanos e até para a divergência política. Tudo isso é para ele “hipótese subjetiva”; o que ele sabe com certeza é que o PT estragou o país e tem que pagar por isso.

Meu amigo bolsonarista que jura não ser fascista está assinando um contrato com Mefistófeles: desde que receba o que tanto deseja, a derrota do PT na corrida presidencial de 2018, assinará qualquer contrato não importa com qual contrapartida. Afinal, a recompensa seria recebida imediatamente e desfrutada com enorme prazer. Quanto ao preço a pagar, bem, isso se verá depois, diz Fausto, não vamos pensar nisso agora.


> Acompanhe a coluna de Wilson Gomes, todas as sextas, no site da CULT

(30) Comentários

  1. Altamente reflexivo, chama atenção para um olhar diferente. Expondo com propriedades os motivos que empurram essa massa amarela, rumo ao inferno do Ditador Bolsonazi.

  2. Eu acrescentaria um pequeno adendo. Talvez o fascismo seja efetivo *justamente* por permitir que seus partidários não se “sintam” jamais fascistas, mesmo quando “sabem” sê-lo.

    Ele é um discurso que gera um campo de conforto onde me reconheço entre irmãos de privilégio (os bons) e gozo a purificação do espaço social de suas contradições inerentes, às custas da expulsão dos não-semelhantes-a-nós (os maus), aqueles que antes me impediam de acessar plenamente meus privilégios.

    O fascismo em sua dimensão cínica implica em certa alienação da empatia para com o outro e seu destino, recompensada pela permissão de gozar sem culpa com a sua destruição, ancorado cada um na percepção ilusória da sua relevância individual na engrenagem funcional do coletivo.

    Ou seja, uma ampliação da lógica militar para o campo social.

  3. Voto Bolsonaro….temo que tudo que escreveu é plausível de se ler e compreender , não de aceitar !
    Não sou fascista ….e sei que esse regime como o fascismo foi de uma conjuntura perversa tanto na Itália …como o nazismo na Alemanha….cada qual com sua voracidade ….mas se seu amigo quer e deseja votar no Bolsonaro…é pq ele vê algo que vc não enxerga e vi que não faz questão de ver…..meu voto nele é pq quero uma escola melhor….quero emprego….e sei muito bem que algumas coisas ele não entende , por isso vai convocar quem possa ajuda lo a por o Brasil na reta novamente…e é hipocrisia falar que os governos anteriores ajudaram a mudar…. Sendo que o Brasil está assim pq o governo atual fez o país parar de crescer, em todos os aspectos… …mas já tá na hora de renovação e porque não , mão firme tanto na segurança como na corrupção…pois do jeito que está não dá mais….então no mínimo vote no seu candidato e deixe seu amigo votar no dele !
    Desculpa os erros mas….vote consciente ….pois meu voto vai ser…e daqui há 4 anos ….veremos quem estava certo !!!

  4. Excelente análise, mas às vezes, penso que além de um desejo insano de acabar com o PT, existe, como você disse, um sentimento vergonhoso, talvez inconsciente e, certamente, inconfessável de acabar com as minorias. Não querer ser facista, mas estar muito incomodado com a ascensão da classe pobre a direitos, antes permitidos só a classe média/alta.
    Esse desempoderamento causado pela igualdade, causou sofrimento a muita gente. Mas reconhecer isso seria aceitar ser facista.
    Infelizmente o PT deu o motivo que precisavam para derrubar um governo popular. Não em nome dos preconceitos da população e sim pelo combate à corrupção. Muita hipocrisia, muito triste, muito assustador☹️.

  5. O que devo fazer neste caso, levando em conta que não está a meu alcance convencer alguém a mudar de lado?
    Em primeiro lugar, dizer a este amigo que ele não pode ser meu amigo, porquê além de pateta faz suas escolhas por ódio. Em segundo lugar, por não ter confiança em alguém que pode te delatar e mandar torturar por algum dia eu ter votado em alguém a quem ele odeia.

  6. Discordo da conclusão do texto. O “não-fascista” que vota em Bolsonaro não se limita ao “anti-petismo”. Há muitos valores inseridos neste voto: combate à corrupção; preservação da soberania, contra a negociação de cargos e riquezas naturais com estrangeiros; combate à violência e crime organizado; defesa de valores conservadores (como o direito de criar meus filhos conforme a minha ideologia religiosa). Enfim, nem todo conservador é fascista. Há uma diferença muito grande entre as duas coisas.

  7. Se o fato de eu ser Bolsonarista e não fascista e ao votar em Bolsonaro estarei endossando o fascismo, me responda então; se eu fir petista e não corrupto ao votar no PT, logo estarei endossando a corrupção… é isto!

  8. Nem todo eleitor de Bolsonaro é fascista e nem todo eleitor do PT é corrupto. Então porque muitos eleitores do PT votaram em Bolsonaro. Sera que eles se tornaram Fascistas ou apenas estão iludidos por um discurso fascista. Não, talvez seja pelo fato de não quererem mais uma agenda corrupta no pais, onde pra ter conseguir algo, tem que dar algo em troca, onde você tem que pagar pra poder trabalhar, onde você tem que “subornar(pagar propina)” pra poder conseguir ser atendido, pra conseguir o direito de ser ouvido, pra mostrar o seu trabalho.

  9. O ódio ao PT foi tão bem construído pelo PIG (Partido da Mídia Gospista) que os que apoiam Bolsonaro realmente não enxergam o que ele representa de ruim. Chamam Haddad de poste de Lula; mas do que se poderia chamar alguém que precisa do Paulo Guedes, o “Posto Ipiranga”, para responder a qualquer pergunta que exija uma frase mais complexa do que “Temos que mudar tudo isso que está aí, pô! Ok”? Um candidato cuja agenda econômica é tão ruim, por estar alicerçada em perdas de direitos sociais e na venda do patrimônio público (a proposta de Paulo Guedes é privatizar tudo), que somente poderá ser implantada pelo uso da força e da supressão da liberdade de manifestação de opiniões e do descontentamento. O mesmo policial que vai receber licença para matar “bandidos” impunemente vai ser o que vai conter as manifestações contra as perdas de diretos que virão. E bandido em pouco tempo será qualquer um que critique seu governo e que o ameace retira-lo pelo voto ou pelo impeachment, se for necessário no futuro. Eleito um governo autoritário, retira-lo do poder, pelos meios institucionais, tornar-se-a impossível. Adeus democracia. Estão trocando a democracia pela didatura movidos pelo ódio ao PT. No fim não teremos nem uma economia pujante, pois os mercados não investem em ditaduras (vejam-se a Venezuela e a Síria), nem um estado democrático de direito. Por isso prefiro tapar o nariz e votar em Haddad. Quero ter certeza de que continuaremos tendo eleições diretas no Brasil.

  10. É preciso ser muito sensível e cuidadoso com o eleitor do Bolsonaro. Porque a verdade é que provavelmente a maioria dos eleitores do Bolsonaro não são fascistas, não são movidos por ódio, mas são leigos e passionais e crédulos. Dentre eles os que se podem chamar neo-fascistas, movidos por ódio de classes, gêneros, raças são poucos. Porque os privilegiados no Brasil são poucos. Não são eles que nos interessam, mas aqueles que não sendo privilegiados se identificam com esse discurso de ódio contra si mesmos, sem discernimento e lucidez. Talvez por uma característica carência de conhecimento ou de capacidade de entendimento combinada com uma alucinação passional coletiva fruto de um esgotamento emocional e psicológico.

    No Brasil contemporâneo cada família com suas idiossincrasias é um núcleo moral, de valores e forças políticas em conflito. Entender isso é o ponto de partida para qualquer esforço emancipatório na política de Estado. Cada família é composta por indivíduos de gerações distintas e com experiências subjetivas muito diversas. Daí a divergência e contradição de seus valores, moral e de suas ideias.

    O inimigo do povo é um só, historicamente, sempre foi e sempre será, mesmo que em cada período da História se apresente com uma nova identidade, um novo nome: status quo. Mas a cada um desses indivíduos membros de cada família, o inimigo se traveste de diferentes identidades.

    De um modo geral e superficial, o bandido que rouba, fere e mata gente comum e o político ou partido corrupto são os principais inimigos para o cidadão comum, classe média, trabalhadores, cidadãos de bem, pequenos empresários. Num país com uma criminalidade tão descomunal, eles testemunham todos os dias com exaustidão crimes cometidos por políticos corruptos (esses distantes deles, da sua justiça pessoal que só é exercida pelo voto) e bandidos (esses muito próximos, dos quais não se podem defender e são a maior ameaça à sua integridade física).

    É compreensível que dentro da sua capacidade de entendimento da sua própria realidade imediata e da realidade do mundo que ele conhece tão superficialmente, esse cidadão de bem, trabalhador, classe média, pequeno empresário (ou pequeno burguês) e que não vê as forças do Estado que o deviam proteger atuarem à seu favor, defenda dentro do seu poder aquele que o promete defender dos seus maiores inimigos: o bandido e o político corrupto.

    Estamos chamando de fascistas pessoas comuns mais ou menos ignorantes, não tanto pelo seu nível de conhecimento, mas pela sua capacidade de compreensão daquilo que conhece, da realidade. O que esse cidadão comum quer é justiça contra aqueles que os roubam e os matam sejam em assaltos ou outros crimes. Pela ausência ou ineficiência de serviços e políticas públicas que os promovam e protejam (isto é, políticos que pela corrupção colocaram o país numa situação calamitosa extrema e que por esses cidadãos é sentido no dia-a-dia, na falta de emprego, no impedimento ou precariedade dos serviços de saúde e educação, corte de direitos trabalhistas e civis etc).

    Aqueles que têm uma compreensão mais profunda e sistêmica da realidade e da História têm que ser muito sensíveis e prudentes. Do contrário corremos o risco de chamar de fascistas, nossos pais, amigos e entes que amamos, cujo mal maior é a ignorância. Ignorância que é consequência justamente desse sistema que combatemos e que, sabemos, favorece a manutenção de um status quo opressor, alheio, insensível e brutal.

    A causa é urgente, mas demanda mais sabedoria e prudência do que ímpeto histérico desnorteado carregado de soberba que tem sido constante e é entendido pelo cidadão comum como um ato de alheamento, depreciação e violência contra si.

    Não é pela soberba do conhecimento e pela imposição da nossa subjetividade, que é o que nos distingue, que nós devemos nos guiar. Mas pelo amor e pelo afeto que nos une àqueles com os quais nos relacionamos, sejam nossa família ou amigos. De nada nos vale nos transformar nos inimigos dos nossos, daqueles que amamos. Só há um senso comum quando há compreensão e compaixão. E vale lembrar que o verdadeiro revolucionário é movido por grandes sentimentos de amor.

  11. Gente, por favor entendam de uma vez! Não é apenas contra o PT que estamos, é contra a corrupção que acabou com o País! Se fosse apenas o PT, votaríamos no Alckimim.

  12. Muito preciso, real e suscinto na análise da histeria coletiva que está assolando as pessoas neste país, com o intuito de eleger um ser abjeto. Recalcado, homossexual enrustido e medíocre. Chamá-lo de fascista é elogio. Ele é a essência do que há de pior no ser humano. Ele consegue fazer aflorar o lado escuro dos recalcados e ignorantes.
    Congratulo-o pela excelente análise!
    Vania Maya.

  13. Bolsonaro não é assim tão desprovido. E você é petista demais pra perceber a quantidade de coisas ruins que perderão o lugar quando Bolsonaro for eleito. Falta autocrítica e capacidade de lidar com a realidade para que compreenda o que é anti petismo, existe muito mais do que você consegue preceber. E não deixou claro o conceito de fascismo. Ela sai de bocas vazias sem sentido e significado.

  14. O eleitor do Bolsonaro não é fascista. Como ele próprio não é. Vocês prestam um desserviço e ofendem a memória de todas as pessoas que sofreram com os reais fascistas de direita e de esquerda na história.
    Vcs chamavam FHC de fascista, Alkmin, Serra, Aécio. Todos foram chamados de fascistas e nazistas por vcs em algum momento. É uma atitude vergonhosa que prova que o esquerdista é, antes de tudo, antidemocrático, pois qualquer visão diferente da sua é fascista. É um intolerante “do bem”. Pois ele próprio se acha “do bem”.
    Você atribui o sentimento anti-PT à corrupção, e ignora completamente o que talvez seja a causa maior e mais urgente: a defesa da democracia. Muito bolsonarista ouviu Dirceu dizer que o PT tomaria o poder, que é diferente de ganhar a eleição. Ouviu Lula declarar que regularia a mídia e que estava mais Maduro (e repetiu 2x para que ficasse bem claro) . Ele se lembra do decreto bolivariano 8243 de 2014
    da Dilma, do qual nos salvou o Congresso, e que agora volta no programa de governo do poste.
    O PT hoje não esconde de ninguém seu autoritarismo, provou seu desrespeito a democracia e ao equilíbrio entre os 3 poderes quando comprou o congresso.
    O eleitor do Bolsonaro ao menos tem nele o benefício da dúvida. Caso seja traído, terá sido enganado.
    Já vocês não tem essa desculpa. Quem apoio fascista de esquerda conscientes do quê elendiz e fez, fascista de esquerda é.

  15. Muito boa essa análise Socio-Politica. Lamento que pessoas “do bem” não facistas apõem irracionalmente uma pessoa composta por um grupo de afetos empoderados,para representar um povo tão expoliados,achincalhado,desrespeitado, roubados no seu mais valioso DIREITO que é o de ter LIBERDADE para construir uma identidade NACIONAL, que não se vista de vermelho, roxo, verde oliva ou qualquer outra cor que não seja as cores da BANDEIRA do BRASIL este país maravilho, que necessita de um povo que para além da questão partidária,o respeite e o defenda desses protótipos de “Salvadores” da Pátria, travestidos de “boas intenções protecionistas” que pensam em emparedar e fazer renascer chibata,senzala,escravidão é um vem números de “projetos” que certamente não favoreçam nenhum cidadão Brasileiro. JUSTIÇA, baseada no ódio, rancor e falta de análise crítica/científica/sociólogica está fadada a um erro maior e com consequências desastrosas de retrocesso político e social, ainda maiores dos já vividos nas década de 60 e 70. Isso para não falarmos dos períodos históricos anteriores.

  16. Não voto no coiso, mas a análise encarna uma das causas da derrota de Haddad nesta eleição: o desfalque da autocrítica e a incapacidade de distinguir a realidade de uma projeção de sentimentos e achismos – o bozo é a personificação das fantasias revolucionárias de uma esquerda parcial e cega estancada de um dos lados da trincheira dessa polarização. Todos perdemos mais uma vez

  17. Melhor texto produzido para definir o momento de paixao e falta de bom senso que esta levando as pessoas a votarem com o fígado e a justificarem o injustificável!! Parabéns!!

  18. Votei em bolsonaro para por fim á Era lula, sem um testa de ferro petista de lula. Bolsonaro será limitado pelos outros partidos apesar de sua bancada ser do tamanho da do PT.

  19. A ojeriza do PT, não é a principal questão. Quando se sobram dois candidatos lamentáveis a votar, você opta pelo que irá prejudicar menos o Brasil: é redução de danos, democracia já foi… O Golpe de 64 foi marcado por anos de corrupção e populismo anteriores, (o governo de JK é um grande exemplo disso) e culminou com a eleição de João Goulart, candidato esquerdista, sem apoio da elite (que querendo ou não é fonte geradora de emprego e renda). As eleições de 2018 tiverem um cenário idêntico ao pré golpe de 64, estávamos diante de um cara radical, militarista, que tinha religiosos, a elite e até os americanos a seu favor… Do outro lado o PT, partido que já não possuía governabilidade nas eleições passadas, porém maquiou as condições políticas e financeiras, fez acordos macabros (Temer vice) e se reelegeu… Levou um golpe! E a meu ver merecido, porque enganou o povo pra entrar no poder!!! Para tirar a Dilma havia uma desculpa, pra tirar o Haddad o que alegariam? É lamentável o Bolsonaro ter ganho? Sim! Mas pior seria o Bolsonaro administrando o Brasil como bem entendesse! Pelo menos ele fingirá que está respeitando a Constituição (prática comum dos presidentes), pior seria se ele a rasgasse de vez, se o Congresso estivesse fechado e o judiciário limitado… E a meu ver ficamos na iminência de isso ocorrer! E para aqueles que aderiram à política maniqueísta petista que massifica os “bolsonaristas” como facistas, perceba que às boas pessoas você insulta, e às más, você os endossa a sentirem-se amparados em seu preconceito duentio. O famoso tiro no pé! A meu ver, caso o Bolsonaro tivesse perdido, estas pessoas estariam ainda mais loucas, se sentindo injustiçadas e lutando com unhas e dentes pela massa bolsonarista de preconceituosos que infelizmente teriam perdido as eleições. Louco é louco… Não massifique as pessoas!!! Assim você perde o melhor da democracia: o debate, a complexidade!!! A complexidade de cada um, dos fatos, a percepção que não existe bem e mal, existem humanos pra votar e serem votados… Isso aí já complica tudo!!!

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