Por que não brincamos mais?

Por que não brincamos mais?
(Arte Andreia Freire)
  Para Rubens, pela pergunta Estamos cercados de coisas inúteis que nos parecem úteis e necessárias apenas porque são oferecidas em vitrines e catálogos, em prateleiras, ao alcance da mão ou pela internet, onde se pode realizar o ato digital de “comprar com um clique”. Para muitas pessoas isso é apenas uma facilidade inofensiva. Mas como o nosso ser se forja em nossos atos, há que se raciocinar sobre o que estamos nos tornando. Seres afundados em um mar de objetos acumulados que foram compulsivamente lançados no mundo por uma indústria que ultrapassa a nossa compreensão: a do nonsense fetichizado. Certamente participamos desse processo poluindo a natureza, as cidades e as nossas casas. Na condição de vítimas de uma programação, incapazes de notar as inconsequências dos próprios atos, não nos sentimos responsáveis. Antes somos condenados.   Somos vítimas da acumulação consumidora. Há algo de delirante nela, o caráter de compulsão, a atividade repetitiva e sem sentido para a qual cada um é treinado. As bugigangas se reproduzem como vírus que atingem a todos. É nesse ponto que se torna urgente analisar o que acontece na relação entre as pessoas e as coisas, o que fazemos com as coisas e o que elas fazem conosco. Pensemos no caso das crianças, com as quais nos assemelhamos no momento em que não somos responsáveis por isso tudo. E lembremos que a programação começa cedo. Há crianças que não sabem o que fazer com os brinquedos que encontram dentro dos embrulhos. Perdem o interesse assim que conseguem abri-los.

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