Inteligência artificial, o novo Sujeito do mundo
Servidores em data center do Google em Iowa, nos Estados Unidos (Divulgação/Google)
A vida humana diante das próteses de pensamento
Um novo fenômeno toma conta do mundo da vida humana. Trata-se da terceirização da subjetividade. Um sistema de opressão – religioso, econômico ou político – funciona colonizando a subjetividade através de diversas formas de violência, mas também através de seduções. Contudo, o que um sistema de opressão realmente espera é que não haja mais sujeito, pois “sujeito” não é aquele que se “assujeita”, mas aquele que se insurge contra a sujeição.
A terceirização da subjetividade representa o fim do sujeito. O que foi chamado de Sujeito”, seja o “Soberano”, seja o “Transcendental”, seja o “Sujeito Autônomo”, que era o objetivo de certas filosofias ainda muito assentadas na noção de emancipação, seja o “Sujeito Cindido” das filosofias mais críticas, foi abandonado. Sem sujeito, a subjetividade se tornou um conjunto difuso de crenças, ideias, imagens, anseios, emoções e sentimentos oferecidos pelo sistema de produção de linguagem como parte do “software” humano. Todo um design da subjetividade foi produzido para configurar o “ser humano” adequado ao sistema até o momento em que esse ser é, na sua complexidade corpo-linguagem, ele mesmo descartado. Aquilo que se define hoje como “produção de subjetividade” só teria sido possível a partir do descarte do sujeito como instância da decisão, da crítica e da responsabilidade. Sujeito seria justamente o que resistiria à máquina de subjetivação imposta aos corpos aos quais são negados a liberdade, o
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