Humberto Werneck: “Não é impossível que nesse pós-Drummond algo me devolva à ficção”
Humberto Werneck, autor de "Pequenos fantasmas" (Luiza Sigulem/Divulgação)
O livro de contos Pequenos fantasmas, de Humberto Werneck, publicado pela editora Seja Breve, foi um dos livros resenhados na Cult de março. A equipe da Cult conversou com o autor sobre o livro.
Os contos de Pequenos fantasmas foram escritos há décadas – e jamais publicados (à exceção de uma edição de 2005, de circulação restrita, com tiragem de apenas quinhentos exemplares: numerados, rubricados e distribuídos para amigos do autor). Por qual motivo você decidiu publicar, agora, aos 81 anos, sua ficção curta da juventude?
Não estava pensando numa edição comercial de Pequenos fantasmas. A possibilidade veio quando Cadão Volpato e Bernardo Aizenberg, que acabavam de criar a editora Seja Breve, me perguntaram se eu tinha algum inédito. Lembrei então do Pequenos fantasmas, eles se interessaram em ler – e a coisa andou.
O quanto você desprendeu-se dos contos de Pequenos fantasmas ao longo da vida? Em alguma medida, ao revisitar esse trabalho, foi como se você encontrasse um escritor que fosse outro Humberto Werneck, homônimo?
São contos de juventude – foram escritos entre os 20 e os 25 anos, exceto um, fruto de solitária recaída ficcional aos 32 –, mas o leitor maduro que o tempo fez de mim, agora na casa dos 80, não os converteu, a meus olhos, em coisa alheia. Me reconheço ali.
Você reconhece nos contos da juventude o escritor – sobretudo o cronista – que viria depois?
Sim. Está ali a pessoa fascinada pelas palavras que sempre fui.
Você está terminando a biografia de Carlos Drummond de Andrade. Existe alguma hipótese de que um próximo trabalho seja, novamente, ficcional? – talvez estimulado pela publicação de Pequenos fantasmas?
Quem sabe? Quando terminar a trabalheira em que estou metido há tantos anos, em regime de quase integral monogamia, ficará na minha vida um espaço a preencher, e não é impossível que nesse pós-Drummond algo me devolva à ficção.
Confira a resenha de Pequenos fantasmas, escrita por Nara Vidal, na Cult de março.





