Estante: Gertrude Stein, Ailton Krenak, Walter Benjamin

Estante: Gertrude Stein, Ailton Krenak, Walter Benjamin
Gertrude Stein em junho de 1934 (Foto: Coleção Carl Van Vechten/Library of Congress/Domínio Público)

 

Toda quinta-feira, uma seleção de cinco lançamentos literários


[O mundo é redondo, Gertrude Stein]

Em 1938, a escritora de livros infantis Margaret Wise Brown enviou cartas a Ernest Hemingway, John Steinbeck e Gertrude Stein para convencê-los a escrever histórias para crianças. Stein foi a única a dar a Brown uma resposta positiva, dizendo que já tinha um manuscrito praticamente pronto, chamado “O mundo é redondo”. O livro foi publicado no ano seguinte pela Young Scott Books, com páginas cor-de-rosa e fonte em azul, como exigido pela autora. A obra finalmente chegou aos leitores brasileiros nesta semana, pela Iluminuras. Mesclando prosa e poesia, Stein conta a história de Rosa, uma menina da comuna francesa de Belley que tenta encontrar seu lugar no mundo. As ilustrações são de Sérgio Medeiros.

Iluminuras, 96 páginas, R$ 42. Tradução de Dirce Waltrick do Amarante e Luci Collin

[A vida não é útil, Ailton Krenak]

O pensador Ailton Krenak reflete sobre a evolução da pandemia do novo coronavírus, os danos causados pelo aquecimento global, a ascensão de governos de extrema-direita e a ideia de que a economia “não pode parar”. Resultado de palestras, entrevistas e lives realizadas entre novembro de 2017 e junho de 2020, o livro apresenta cinco textos adaptados nos quais Krenak critica tendências destrutivas como o consumismo desenfreado, a devastação ambiental e a visão estreita do que seria a humanidade. A pesquisa e organização é de Rita Carelli.

Companhia das Letras, 128 páginas, R$29,90

[Walter Benjamin: barbárie e memória ética, Vários autores]

Este livro reúne ensaios que discutem o pensamento constelacional e imagético do ensaísta, filósofo e sociólogo Walter Benjamin. Resultado do congresso homônimo realizado na PUC-RS em setembro de 2018, conta com textos de Maria Rita Kehl (“Melancolia em Walter Benjamin e Sigmund Freud”), Márcio Seligmann-Silva (“O fecundo poder da reprodução técnica como arte de testemunhar”), Aléxia Bretas (“Constelações em ruínas: luto, barbárie e memória ética”), Jeanne Marie Gagnebin (“Sobre a noção de Spielraum em Walter Benjamin: resistência e inventividade”), entre outros estudiosos da obra de Benjamin.

Zouk, 200 páginas, R$ 46,80 (pré-venda). Organização de Ricardo Timm de Souza, Bruna de Oliveira Bortolini, Helano Ribeiro, Manuela Sampaio de Mattos, Marcos Messerschmidt, Tiago dos Santos Rodrigues

[Vírus soberano?, de Donatella di Cesare]

“Não é só uma crise, mas também uma catástrofe em câmera lenta. O vírus deteve o dispositivo. O que se vê é uma convulsão planetária, o espasmo produzido pela virulência febril, fim da aceleração em si mesma, que chegou inexoravelmente ao ponto de inércia. É uma tetanização do mundo”. A filósofa e ensaísta Donatella Di Cesare, professora da Unversidade La Sapienza, de Roma, escreve sobre como pode um vírus soberano, que circula entre as fronteiras, revela os limites da soberania: “Sem solidariedade entre os povos, para além de qualquer governança fobocrática, a catástrofe poderá ser enorme”, ressalta.

Ayinê, 130 páginas, R$ 31,50 (pré-venda). Tradução de Davi Pessoa

[Intolerância religiosa, Sidnei Nogueira]

Babalorixá e doutor em Linguística pela USP, Sidnei Nogueira apresenta um histórico da intolerância religiosa no Brasil desde pelo menos 1977, quando a primeira Igreja Universal do Reino de Deus foi fundada no Rio de Janeiro – um fato que, segundo o autor, agravou a perseguição a tradições de origem preta como a Umbanda e o Candomblé. O título é o oitavo da coleção “Feminismos plurais”, que inclui títulos como Racismo estrutural, de Silvio Almeida, e Interseccionalidade, de Carla Akotirene. A organização é de Djamila Ribeiro.

Pólen Livros, 160 páginas, R$ 24,90


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