O futebol, o Brasil e o mundo

O futebol, o Brasil e o mundo (Arte Andrea Freire)
A solução do nó em que se meteu o futebol brasileiro exigiu, sobretudo, um técnico. Não por sua figura folclórica, mas por sua linguagem   Nos últimos anos, como se sabe, o futebol brasileiro experimentou uma profunda crise, sem precedentes em toda a sua história, desde que, com a conquista de sua primeira Copa do Mundo, superou o complexo de vira-latas e assumiu o protagonismo do esporte mais popular da terra. Durante esse período, conhecemos, é claro, melhores e piores momentos. Tivemos derrotas inesperadas, fases de renovação, um longo período sem vencer a Copa do Mundo. Mas as derrotas, mesmo as contundentes, eram pontuais e se deviam a fatores como times desorganizados, jogadores negligentes, brilhos fugazes de adversários sem grande tradição. Era a época dos “vexames”: derrota para Honduras, goleada para o Chile etc. Houve também breves períodos de entressafra, em que apareciam no cânone dos cânones que é a seleção brasileira jogadores sem renome e sem qualidade técnica à altura. E sobre nossas sucessivas derrotas em Copas do Mundo – até o tetra de 1994 que inaugurou três finais consecutivas – elas se deveram mais ao acaso constitutivo do futebol do que a problemas estruturais indicadores de transformações profundas. A partir dos anos 1990, entretanto, começava a se chocar o ovo da serpente. Seu embrião se revelava na expressão “não tem mais time bobo”, que alguns, sentados no trono de uma suposta soberania vitalícia, procuravam desacreditar. O fato, contudo, era que a globalização havia intensificado a

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