Foucault vermelho no Norte-Nordeste: Sol, prazer e contraconduta
Edição do mês
BRUCE JACKSON
Prazer e poder
Foucault veio ao Brasil cinco vezes, entre 1965 e 1976; na maioria das vezes que aqui esteve, realizou conferências no eixo Rio-São Paulo. Em sua última estada em São Paulo, em 1975, interrompeu o curso sobre “A genealogia do poder moderno sobre a sexualidade”, na USP, para apoiar os protestos contra as atrocidades da ditadura brasileira que eclodiram com o assassinato do jornalista Vladimir Herzog. Nessa ocasião, Foucault foi alvo de vigilância pelo DOI-Codi, vindo a ser considerado pelo governo militar um “aliado da subversão” – como ressalta Ernani Chaves no prefácio ao livro Ensaios sobre Michel Foucault no Brasil (Lamparina, 2016), de Heliana de Barros Conde Rodrigues. Após essa turbulenta temporada, a convite da Aliança Francesa, o pensador francês resolveu realizar outro roteiro de conferências; desafiando a perseguição da ditadura brasileira, Foucault vai, em novembro de 1976, para Bahia, Pernambuco e Pará.
Tanto na pesquisa de Conde Rodrigues quanto no livro de Roberto Machado Impressões de Michel Foucault (N-1, 2017), podemos encontrar pistas do que foi a passagem de Foucault pelo país em 1976. Antes de embarcar para sua missão nas regiões Norte e Nordeste, enquanto comia um galeto no Baixo Leblon com Machado, foi advertido por seu amigo pernambucano da dificuldade que poderia encontrar nas universidades nordestinas quanto à predominância de marxistas entre os estudantes nordestinos. Mesmo enxergando com reserva o fato de as soluções revolucionárias marxistas se darem nos termos gerais da luta e da con
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