Feminismo negro: para além de um discurso identitário

Feminismo negro: para além de um discurso identitário Marcha das Mulheres Negras, 2015 (Foto: Ana Carolina Barros)
Falar sobre diferentes momentos do feminismo negro exige uma leitura para além do que encontramos em compêndios e obras sobre feminismo. Primeiro, porque em muitos destes ignora-se a contribuição das mulheres negras para a luta feminista. Segundo, porque é preciso também transcender o que se entende por um discurso legitimado. Explico: no período da escravidão no Brasil, mulheres negras eram empreendedoras, quituteiras, por exemplo, e utilizavam o dinheiro para comprar a alforria de pessoas negras escravizadas. Do mesmo modo, muitas contribuíram para a organização de levantes contra a escravidão, assim como para as estratégias de manutenção de quilombos. Há registros de mulheres negras que praticavam abortos como forma de luta porque não queriam ver seus filhos nascerem escravizados. Se olharmos com mais atenção para a história das mulheres negras no Brasil e em outros países onde houve escravidão negra, podemos constatar que elas já desempenhavam um papel importante de luta e sobrevivência do povo negro. Importante também ressaltar o papel de destaque de mulheres negras de terreiro, os saberes produzidos nesse espaço e a figura de liderança que ocupam historicamente na resistência e manutenção cultural. É importante pontuar de que feminismos falamos quando ignoramos ou tornamos invisíveis essas histórias e narrativas. Nesse sentido, podemos dizer que essas mulheres negras, que eram tratadas e vistas como mera mercadoria e que lutavam pela libertação de todo um povo, formaram uma espécie de primeira onda. Em 1851, Sojourner Truth, n

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