Estante CULT: Agamben, Svetlana Aleksiévitch, Dostoiévski

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Estante CULT: Agamben, Svetlana Aleksiévitch, Dostoiévski
Giorgio Agamben em Girona, 2014 (Foto Pere Duran / Divulgação)
  Publicado na Itália em 2015, A aventura, de Giorgio Agamben, que a Autêntica ora coloca à disposição do leitor brasileiro, é um livro especial. Que se lê não somente com o encantamento diante da envergadura intelectual demonstrada como sempre pelo autor, mas também em plena conexão com a sensibilidade à flor da pele que é a marca registrada de sua prosa. Breve e preciso em suas pouco mais de 70 páginas, o ensaio divide-se em cinco capítulos, que correspondem a cinco forças-motrizes que podem fecundar a vida do homem – Demônio, Aventure, Eros, Evento e Elpis. Em cada uma dessas breves partes o leitor há de encontrar um riquíssimo manancial de reflexões acerca da literatura, do tempo, da cultura e da ética. O autor perscruta as origens e o significado da palavra aventura, percorrendo um longo caminho que sai da Antiguidade Clássica e chega à contemporaneidade – fazendo uso das leituras de Macróbio, Chrétien de Troyes, Dante, Jacob Grimm, Goethe, Hegel e Heidegger, dentre outros. “Nas Saturnais de Macróbio, um dos personagens que participam do banquete atribui aos Egípcios a crença de que, no nascimento de cada homem, presidem quatro divindades: Daimon, Tyche, Eros e Ananche (o Demônio, a Sorte, o Amor e a Necessidade). (...) A vida de cada homem deve pagar o seu tributo a essas quatro divindades, sem procurar evitá-las ou enganá-las. A Daimon, porque lhe deve o seu próprio caráter e sua própria natureza; a Eros, porque dele dependem a fecundidade e o conhecimento; a Tyche e a Ananche, porque a arte de viver consiste também

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