Privado: Era Meu Esse Rosto – meu novo romance

Privado: Era Meu Esse Rosto – meu novo romance

Publico aqui a capa e a orelha escrita por Donizete Galvão para o meu mais novo romance que é ao mesmo tempo o mais velho. Ele está chegando nas livrarias. Aos poucos vou contando o que ele é, como nasceu, o que diz para mim. Mas aqui vai, primeiro, a linda orelha como um sinal do livro. Vou publicar mais adiante também o prefácio da Regina Zilberman que me deu muita alegria. 

Era meu Esse Rosto – Editora Record

O que quer o narrador de Era meu esse rosto, com sua máquina fotográfica, a registrar a peregrinação pela turística V, na Itália? Não conhecemos seu nome, mas sabemos que traz a história da família no sangue e precisa descobrir o fio no novelo que originou o romance familiar. Para contar a viagem desse Ulisses, Márcia Tiburi captura o leitor com uma prosa de intensidade poética e de uma pulsação emocional que se intensifica até o desfecho.

Tudo começa na fria V, gaúcha, onde sopra o minuano, em que o narrador menino vive num mundo edênico com seu nonno, a avó, a tia, as irmãs. É um ninho aconchegante, isolado no tempo, rural, com galinhas, gatos, cachorros e bezerros. Com sete anos, este narrador tudo observa e registra. Já tem a vocação da fotografia, pois rouba e esconde a máquina fotográfica comprada pelo tio.

Na narrativa da infância, recupera-se uma mitologia familiar de grande delicadeza onde o avô filósofo é figura central. Haverá, entretanto, a expulsão do paraíso. Do mundo angelical surge o mundo da condenação. A vida é uma fita esticada “pronta a ser cortada pela tesoura de um Deus que não se oculta e que me suga o sangue desde cedo”. Daí, segue um inventário de perdas: a morte do tio, da avó e do avô. A vida fraturada pelas primeiras experiências da morte. Ao narrador cabe atar essas várias histórias que se entrecruzam. A sombra da morte está sempre ao seu lado.

Cabe ressaltar que este não é só um memorial familiar. Márcia Tiburi faz um trabalho de invenção com a língua, com o estilo, para reconstruir nos labirintos da linguagem um mosaico familiar. Ressalte-se também a aguda busca de uma imagética para retratar as ruminações filosóficas do narrador.

Márcia Tiburi constrói uma romance enigmático, tocante, cheio de afeto e reflexão. A trajetória do narrador em busca de suas origens é também a trajetória de todos nós na busca dessa “estranha idéia de família”.

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