Entre o pacto e a montanha: A trajetória política de Thomas Mann em dois romances

Entre o pacto e a montanha: A trajetória política de Thomas Mann em dois romances
Júlia da Silva Bruhns, mãe em Thomas Mann, em foto de 1870 (Eth-Bibliothek Zürich, Thomas-Mann-Archiv)
  Em 1914, Thomas Mann, acompanhando o movimento geral de sua nação, viu-se entusiasmado com a eclosão da Grande Guerra. Foi nesse clima de enlevo que ele escreveu “Pensamentos na guerra” (1914), um manifesto favorável ao conflito. Em um dado momento do ensaio, ele afirma: “Como poderia o artista, o soldado no artista, não dar graças a Deus pela derrocada de um mundo de paz do qual ele estava farto, completamente farto?”. Esse e outros trechos evidenciam o pensamento de um artista conservador, de convicções belicistas e antidemocráticas. Três décadas depois, Thomas Mann se encontrava em posição muito diferente: ocupava agora o posto de um dos principais inimigos de Hitler. Exilado nos Estados Unidos depois de fugir da Alemanha em 1933, ele transmitiu entre 1940 e 1945 o programa Ouvintes alemães! pela rádio BBC, composto por discursos de resistência dirigidos a seus conterrâneos. Em um deles, Mann enumera seus desejos para o mundo que viria depois da guerra: “A organização da sociedade dos povos, a administração da Terra para o benefício de todos, para a paz, a liberdade e a segurança”. O apelo à paz e à liberdade, sempre ligado à ideia de democracia, chama atenção justamente naquilo que possui de oposto às fortes convicções que o autor tinha no início do século, quando comemorou enfaticamente o início de um conflito desastroso para a Alemanha. A mudança radical nas posições e no pensamento político de um autor da magnitude de Thomas Mann é frequente tema de análise. Ela não só é fruto dos tempos conturbad

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