Straight edge saudita

Straight edge saudita
    "Desenho um “X” em minha mão/ para dizer: não beberei/ do licor do sonho" Quando eu poderia imaginar que mal começaria a ler Clay Tablets in Nietzsche’s Cave , do saudita Raed Anis Al-Jishi, e, imediatamente, já no primeiro verso, meu cérebro seria atirado para o mundo underground – para rápidos acordes distorcidos e canções com conteúdo político, esbravejadas, e Ian MacKaye, e a banda Teen Idles, e a canção “Too Young to Rock”. A menção ao “X” desenhado na mão inicia o poema que abre o livro, “Jovem demais para estar bêbado”. E a primeira interrogação que me surgiu foi: como é que nós (do Brasil, da Arábia Saudita) temos essa mesma referência? Referência não tão usual, da cena alternativa, do hardcore estadunidense, em que um “X” na mão atribui à pessoa que o rabiscou – ou que o tatuou – o significado de ser straight edge. Em resumo, a banda Teen Idles, da qual MacKaye (futuro vocalista e letrista de grupos icônicos como Minor Threat e Fugazi) fazia parte, foi autorizada a tocar no clube noturno Mabuhay Gardens, em San Francisco, porque seus membros (adolescentes, de fato) seriam, pelo símbolo, reconhecidos como menores de idade, e para eles, portanto, não seriam vendidas bebidas alcoólicas. A partir da apresentação californiana, espalhou-se o “X” na mão em outras performances da banda – e mundo afora. Pessoas inseridas na subcultura straight edge optam, então, entre outras propostas mais ou menos flexíveis, por não consumir bebidas alcoólicas (bem como nenhuma droga rec

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