Da fotografia vernacular à inconfiável

Da fotografia vernacular à inconfiável
Os escritores Hua Hsu, Claudia Cavalcanti e Cristovão Tezza (divulgação, renato parada/divulgação/fósforo, Record)
Duas narrativas em primeira pessoa publicadas recentemente no Brasil se vinculam à fotografia vernacular: o romance curto Avenida Beberibe, de Claudia Cavalcanti; e o livro de memórias Stay True: Relato de uma amizade, do estadunidense Hua Hsu. A começar pelas capas. Na do primeiro, há um clique de um Recife pregresso: uma criança de colo, de costas, espreitando o carnaval na avenida que intitula a ficção autobiográfica, e ainda um coqueiro e um fusca; na do segundo (tanto na edição brasileira quanto na edição original, da Doubleday Books, de 2022), destaca-se um fotógrafo: seu rosto está semioculto pela câmera – apontada para quem segura o livro. Dado não mencionado em Stay True, mas esclarecido em artigo da Vulture, por Ryu Spaeth, é que o fotógrafo da capa é Ken: amigo de Hua Hsu, figura central na obra. Enquanto Hsu se reescreve no passado, em texto denso e límpido, somos rebobinados para os anos 1990: fitas VHS, a influente MTV, a cultura de massa do final do século 20, a comunicação por fax (“faxes chegam com uma aparência desbotada e distante, o conselho já atrasado”) e pager, produção artesanal de zines – e, naturalmente, fotografia analógica. “Paramos no 7-Eleven tarde da noite para que Ken pudesse comprar cigarros. Continuava quente lá fora. Esperei no carro e observei enquanto ele conversava com o caixa. Era como assistir a um filme, o jeito como a loja brilhava contra o céu noturno. Inclinei-me para fora da janela para tirar uma foto do letreiro do 7-Eleven.” E a foto do letreiro é uma das imagens que intercalam o

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