Terreno e insólito

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Terreno e insólito
Carmen Maria Machado: 'Personagens são lente através da qual examino minhas próprias experiências' (Art Streiber/Divulgação)
  Carmen Maria Machado costuma dizer aos seus alunos que eles devem escrever os livros que querem ver no mundo. Norte-americana, de origem cubana, ensaísta, escritora e professora do departamento de Inglês da Universidade da Pensilvânia, ela colocou em prática seu próprio ensinamento quando publicou uma coletânea de contos pela qual ela mesma ansiava enquanto leitora voraz de ficção científica e terror, consumidora de cultura pop – e mulher bissexual. O corpo dela e outras farras saiu no final de 2017 e logo fez barulho: foi considerado pelo The New York Times um dos quinze livros notáveis escritos por mulheres que estão moldando a maneira como lemos e escrevemos ficção no século 21, junto de obras de Elena Ferrante, Chimamanda Ngozi Adichie e Zadie Smith. O livro venceu a mais reconhecida premiação concedida a obras de temática LGBT, o Lambda Literary Awards, e foi finalista de outros importantes prêmios literários norte-americanos, como o National Book Award. No centro das oito histórias da autora estreante, que chegam ao Brasil em agosto, estão mulheres e seus corpos atravessados por desejos e violências. Uma delas, depois de fazer uma cirurgia bariátrica na esperança de se sentir saciada com apenas oito bocados de comida por refeição, passa a conviver com uma massa amorfa e pegajosa, uma “coisa” que se arrasta pelo porão da sua casa e que pesa os mesmos 45 quilos eliminados do seu corpo desde que metade do seu estômago se foi. A autora empresta elementos do terror, da ficção científica, dos contos de fadas e da fant

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