Artistas denunciam ‘sumiço’ de obras sobre violência e diversidade sexual no RJ

Artistas denunciam ‘sumiço’ de obras sobre violência e diversidade sexual no RJ Acima: fotografias do Coletivo Flsh, expostas no Centro Cultural Oduvaldo Viana Filho; abaixo: paredes sem as fotografias (Foto: reprodução)

 

Com abertura marcada para esta sexta (6) no centro cultural Oduvaldo Vianna Filho (o Castelinho do Flamengo), na zona sul do Rio de Janeiro, a exposição Curto-circuito (com trabalhos sobre diversidade sexual) foi adiada por tempo indeterminado. A Secretaria Municipal de Cultura do Estado, responsável pela gestão do espaço, afirma que o motivo seria uma “pane elétrica” no local, mas artistas acusam a prefeitura de censura.

Eles dizem que alguns trabalhos da mostra foram desmontados por funcionários do espaço sem aviso prévio nem autorização: o painel Tourist map be your own dealer (mapa dos pontos do tráfico da cidade do Rio de Janeiro), de Ynaê Cortez; a pintura a óleo Boquete voador, de Luiz Rocha; e seis fotografias do Coletivo FLSH, que traz pessoas trans e não-heterossexuais nuas.

“Chegamos ontem [dia 5] no centro cultural e demos de cara com os portões fechados e um aviso: Devido a pane elétrica, o Castelinho do Flamengo está com a visitação suspensa”, afirma à CULT Ynaê Cortez de Morais, autora de uma das obras retiradas da exposição. O grupo, então, chegou a chamar dois técnicos da Light para que verificassem o ocorrido, mas, segundo a artista, os profissionais foram impedidos de entrar no local por dois seguranças que teriam dito que o problema “estava resolvido”.

Em nota emitida nesta sexta (6), no entanto, a Secretaria de Cultura afirmou que caso o conserto das instalações elétricas fosse realizado em tempo hábil, a programação seria retomada no próprio espaço – caso contrário, a exposição pode ser transferida para outro ponto da cidade. Coordenador do Coletivo FLSH, Tom Dutra afirma ter encontrado o local em condições normais na noite desta quinta (5).

  • Obra "Tourist Map be your own dealer", de Ynaê Cortez, mostra pontos de venda de drogas no Rio de Janeiro para repensar a violência (Reprodução)
  • Fotografias dos ensaios "Raw Flesh" e "Flesh Rocks", feitas pelo coletivo Flsh (Foto João Maciel e Rafael Medina)
  • Ensaios "Metamophosis" e "Transparent Flesh", do coletivo Flsh. (Foto João Maciel e Rafael Medina)
  • Ensaios "Warm Flesh" e "Fluid Flesh", do Coletivo Flsh (Fotos: João Maciel e Rafael Medina)

 

“Mandei um e-mail pedindo que nos fossem enviados os laudos técnicos referentes às instalações elétricas. Como fui ignorada, mandei outro. Até agora não tive resposta”, afirma Débora Guimarães, artista visual e organizadora da mostra. Continuam expostas uma peça de Tomas Jefferson – artista visual que marchetou um ar-condicionado antigo do próprio Castelinho -, e a obra Após a chacina, doamos os órgãos dos nossos filhos, de Julie Brasil.

Segundo a Secretaria, as obras foram retiradas por “motivos de segurança”, e continuam no Castelinho. Ynaê Cortez e Tom Dutram afirmam que seus trabalhos continuam desaparecidos. A mostra Curto-circuito integra a programação do “Outubro da Diversidade”, organizado pela própria Secretaria Municipal de Cultura, que, segundo os artistas, participou do processo de curadoria, que teve início em junho deste ano.

“Tivemos muito cuidado com os modelos. Não fotografamos ninguém de aparência mais jovem (já que uma das reclamações mais frequentes tem sido em relação à suposta apologia à pedofilia). É apenas uma série de fotos sobre as diversas formas do amor”, afirma Tom Dutra. “Ainda não caiu a ficha do que está acontecendo, mas é realmente censura, e isso assusta. Sempre achei que isso era uma coisa do passado.” Na noite desta sexta (6), um protesto na frente do local foi organizado pelos artistas.

(1) Comentário

  1. Puxa, eu nem dabia dessa exposição, e pelas fotos parece ótima! Quero ver, sou adulta, devido por mim mesma o que ver, onde ir. Abaixo o fascismo em todas as suas formas!!!

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