Nos rastros de Maria Bonita

Edição do mês
Nos rastros de Maria Bonita
Adriana Negreiros: 'Não restam dúvidas de que Maria Bonita era uma mulher inconformada, rebelde e corajosa' (Foto: Lira Neto)
  Não faz muito tempo que a visão um tanto romanceada em torno do que os cangaceiros foram e representaram, especialmente nas décadas de 1920 e 1930 – embora o termo e atuação de grupos semelhantes pelo sertão nordestino brasileiro já tenham sido noticiados no século 19 –, passou a ceder lugar para o que atestavam os registros e importantes livros sobre o período: o caráter cruel de Virgulino Ferreira da Silva (1898-1938), vulgo Lampião, e os atos aterrorizantes que ele e seu grupo praticaram, como o assassinato e a tortura de famílias inteiras, o estupro e sequestro de mulheres, destruição de propriedades e roubo do que achassem interessante, fosse de pessoas abastadas ou pobres. O rei do cangaço, como era chamado, tinha como companheira Maria Gomes de Oliveira (1910-1938), a Maria de Déa, conhecida na posteridade pelo nome que virou título de uma infinidade de coisas, de grife de moda a grupos de música e salões de beleza: Maria Bonita. E ela, por sua vez, era e representava muito mais do que o posto redutível de esposa, o único com o qual era mencionada pela imprensa e pensadores do período, envoltos pelo obscurantismo machista de boa parte das décadas do século passado – e ainda presente, em certas escalas, nos tempos atuais. Sim, cabia a Maria Bonita satisfazer as vontades de Lampião e cumprir os afazeres do lar; também consta que não participava dos combates. Mas o importante e desconhecido papel histórico que ela e outras mulheres desempenharam no cangaço, assim como as mazelas que viveram, precisavam ainda ser narrad

Assine a Revista Cult e
tenha acesso a conteúdos exclusivos
Assinar »

Fevereiro

TV Cult