“A psicologia junguiana falava comigo de um modo que a psicanálise não me alcançava”
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(Divulgação)
Aos 82 anos, o sociólogo, bacharel em direito e analista junguiano Roberto Gambini recebeu a Cult em sua casa. Ao longo de uma conversa franca, insistiu em dois pontos: em como estamos sempre articulando diferentes personalidades internas, múltiplos conflitos, a fim de encontrarmos verdades a nosso respeito; e em como é difícil o horizonte para pensarmos um Brasil para além da colonização e da colonialidade.
Ganhador do Prêmio Jabuti com A voz e o tempo: Reflexões para jovens terapeutas (Ateliê Editorial, 2008), Gambini tem, no prelo, a ser publicado também pela Ateliê Editorial, Pássaro e pedra, uma coleção de ensaios que inclui sua análise sobre um projeto que coletou mais de 400 sonhos de crianças de diferentes realidades: de classe econômica urbana privilegiada, da periferia, e também de crianças indígenas. Atento à indissociabilidade entre política, sociedade e psique, Gambini aponta caminhos para o campo dos analistas junguianos – e para um campo expandido de psiquiatras, psicoterapeutas e psicanalistas.
Como foi seu encontro com Carl Gustav Jung e a psicologia analítica?
Foi em 1972. Eu fazia uma pós-graduação em direito, estava em Chicago para um projeto de alguns anos. Encontrei em uma livraria o livro Memórias, sonhos, reflexões. Depois que li esse livro, não parei mais. A psicologia junguiana falava comigo de um modo que a psicanálise não me alcançava. Eu estava em busca de análise, precisava de escuta para minhas questões.
Quais questões?
A homossexualidade. A visão da psicologia analítica era de
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