14 livros feministas essenciais de acordo com a Biblioteca Pública de Nova York

14 livros feministas essenciais de acordo com a Biblioteca Pública de Nova York
Judith Butler, Simone de Beauvoir, Audre Lorde, Marjane Satrapi e Bell Hooks (Arte Andreia Freire / Divulgação)

 

O site da Biblioteca Pública de Nova York, a quarta maior do mundo, não serve apenas para consultar o catálogo de livros disponíveis ou os horários de funcionamento do espaço. Periodicamente, os funcionários da biblioteca publicam listas com sugestões de leitura que vão da história à biologia; da política à escrita LGBT.

Uma das mais populares se chama Know your feminisms (“conheça seus feminismos”).  Criada por Lynn Lobash, gerente da biblioteca responsável pelos serviços direcionados aos leitores, a seleção traz 14 títulos considerados “essenciais para compreender a história do feminismo e o movimento pelos direitos das mulheres”.

Variada, a lista engloba obras clássicas de nomes como Simone de Beauvoir e Virginia Woolf quanto livros mais recentes – como uma graphic novel de Marjane Satrapi, uma reunião de artigos de Roxane Gay, tirinhas de Alison Bechdel e textos de bell hooks:

  1. Um teto todo seu (1929), de Virginia Woolf

Com base em palestras da autora, proferidas nas faculdades de Newham e Girton em 1928, o Um teto todo seu é um grande ensaio romanceado que traz reflexões sobre a opressão feminina e a influência disso na produção literária de autoras. A tese central de Woolf é simples: uma mulher só é capaz de produzir literatura se for financeiramente independente e tiver, como diz o título, um teto todo seu.

  1. O segundo sexo (1949), de Simone de Beauvoir

Um dos livros mais famosos quando se trata de feminismo e filosofia feminista, O segundo sexo analisa a condição social da mulher ao longo da história e chega à conclusão de que os indivíduos do sexo feminino foram historicamente definidos não como “eu” (que para Beauvoir seria o papel masculino na sociedade patriarcal), mas como “o outro”. As mulheres, uma vez desumanizadas, teriam sido excluídas das esferas de poder e despidas de seus direitos.

  1. A mística feminina (1963), de Betty Friedan

No livro conhecido como a “inspiração por trás da revolta das mulheres estadunidenses”, a psicóloga Betty Friedan apresenta a tese de que, após a crise de 1929 e a Segunda Guerra Mundial, a mulher americana foi redesenhada como “a mãe” e “a esposa zelosa” – um papel fortalecido pela educação, que desde a infância desestimularia a independência feminina. Aos poucos, escreve Friedan, a tentativa de encaixar-se no padrão patriarcal faria com que as mulheres desenvolvessem angústias e sentimentos que sequer conseguiriam nomear, mas que as manteriam sob controle.

  1. Les guérillères (1969), de Monique Wittig

Sem tradução para o português, o romance de Wittig cria uma guerra literal entre os sexos, na qual as mulheres são guerreiras armadas que lutam acompanhadas por alguns companheiros homens. Sob a ficção, a autora tece críticas ácidas à sociedade patriarcal e aos papéis de gênero sexistas do final dos anos 1960.

  1. The female eunuch (1970), de Germaine Greer

A australiana Germaine Greer argumenta que a família nuclear, consumista, tradicional e suburbana só existe porque a mulher  teria sido “amansada” pela sociedade patriarcal e usada como uma espécie de pilar da família. Essa imposição machista do feminino teria, ainda, descolado a mulher de sua sexualidade e assim arrancado dela um poder milenar – daí o título do livro, algo como “eunucas femininas”.

  1. Política sexual (1970), de Kate Millett 

Baseada na tese de doutorado de Millett, o livro discute o impacto do patriarcado nas relações sexuais e na sexualidade. Ao longo da obra, Millett aborda as obras de nomes como D.H Lawrence, Henry Miller e Sigmund Freud, e afirma que, nelas, os autores abordam sexo forma patriarcal e sexista. 

  1. Sister outsider (1984), de Audre Lorde

Coletânea de 15 discursos e artigos da poeta feminista Audre Lorde, apresentados entre 1976 e 1984, nos quais a autora fala de sexismo, racismo, homofobia, luta de classes, lesbianidade entre mulheres negras e, ainda, interseccionalidade nas lutas por direitos. É do livro a famosa frase de Lorde: “Revolução não é um evento único”.

  1. O mito da beleza (1990), de Naomi Wolf

Naomi Wolf explora os padrões normativos de beleza propagados pela indústria da moda e do entretenimento, que em geral reproduzem o ideal de mulher magra, branca e jovem. Na sua visão, tais padrões são tão violentos e disseminados que acabam destruindo a psiquê feminina, minando-as politicamente e mantendo-as sob controle.

  1. Problemas de gênero (1990), de Judith Butler

Considerada a obra seminal da teoria queer e do feminismo liberal, Problemas de gênero introduz o conceito de performance de gênero, segundo a qual gênero não é algo ligado à biologia, mas ao comportamento – e que, portanto, pode ser recriado, desmontado e remontado de modo a quebrar os padrões que mantêm a sociedade presa ao patriarcado. 

A escritora e ensaísta britânica Virginia Woolf, autora de 'Um teto todo seu' (1929) (Reprodução)
A escritora e ensaísta britânica Virginia Woolf, autora de ‘Um teto todo seu’ (1929) (Reprodução)
  1. Feminism is for everybody (2000), de bell hooks

Ainda sem versão em português, o título da obra da teórica feminista, artista e ativista social bell hooks pode ser traduzido como “feminismo é para todo mundo” – justamente porque, no livro, a autora foca na intersecção entre gênero, raça e sociopolítica, além de abordar as transformações positivas que o feminismo é capaz de realizar, mostrando que, em teoria, esta luta deveria abranger todas e todos.

  1. Persépolis (2004), de Marjane Satrapi

A graphic novel Persépolis conta a história de como a jovem Marjane Satrapi, filha de uma família de esquerda, cresceu durante a Revolução Islâmica no Irã. Em páginas bem-humoradas, a quadrinista lembra de episódios pessoais que acabam abordando temas como o véu islâmico, a liberdade de expressão, a desigualdade de gênero e a violência político-religiosa.

  1. Dykes to watch out for (2009),  de Alison Bechdel

“Lésbicas para se ter cuidado” é o título das tirinhas de Alison Bechdel, uma das quadrinistas mais conhecidas da atualidade – autora de Você é minha mãe? (2012) e do premiado Fun home (2006). Nas tiras, Bechdel faz crônicas gráficas da vida amorosa e social de um grupo de mulheres lésbicas, e acaba abordando diversas indagações sobre sexualidade, opressão e gênero.

  1. Má feminista (2014), de Roxane Gay

Roxane Gay faz uma seleção de ensaios sobre ser mulher negra nos Estados Unidos. Sob uma camada de humor, os textos propõem duras críticas ao feminismo atual e suas contradições, além de abordar política, racismo e violência em uma linguagem descontraída e pessoal.

  1. Homens explicam tudo para mim (2015), de Rebecca Solnit

Tudo começa com um episódio curioso: em uma festa, um homem gasta um bom tempo indicando um livro a Solnit – sem dar a ela a chance de explicar que, na verdade, a obra é de sua autoria. Partindo daí, a autora reúne uma série de artigos e ensaios sobre as diversas formas de violência contra a mulher – silenciamento, agressão física, violência e morte.

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