Uma rebelde no rebanho

Uma rebelde no rebanho
Ivone Gebara no jardim suspenso do CCSP, em São Paulo (Foto: Marcus Steinmeyer)
Ivone Gebara está acostumada a incomodar. Incomodou os pais quando se juntou a uma Congregação religiosa aos 22 anos. Incomodou o Vaticano quando se manifestou a favor do aborto em uma revista de circulação nacional e incomoda a Igreja todos os dias, há cinquenta anos, ao questionar as verdades absolutas do catolicismo. Aos 72 anos, a filósofa da religião e teóloga feminista quer plantar dúvidas na cabeça dos fiéis, especialmente das mulheres. Quer explicar para confundir, quer tirá-las da espiral de dominação masculina que ainda impera em muitas igrejas. “Tento ajudá-las a se ligar de maneira horizontal com a religião. É uma tarefa árdua, mas necessária”, afirma. Autora de mais de trinta livros publicados – entre eles Teologia ecofeminista: ensaio para repensar o conhecimento e a religião (1997) e Rompendo o silêncio: uma fenomenologia feminista do mal (2000) –, Ivone é doutora em Filosofia pela PUC-SP e em Ciências Religiosas pela Universidade Católica de Lovaine, na Bélgica. De volta a São Paulo depois de trinta anos morando no Recife, ela usa seus dias para escrever, participar de conferências, palestras e conversas com grupos de periferia. Quando encontrou a reportagem da CULT, estava prestes a embarcar em uma viagem ao México, onde falou sobre a genealogia da violência contra a mulher em um simpósio. “Quem me convida é porque quer me escutar”, diz Ivone, com a consciência de que as tentativas de silenciá-la são maiores que os espaços concedidos de bom grado. “Seria muito bom se me oferecessem um púlpito

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