Mostra em SP exibe filmes sobre a geração beat

Poeta e ensaísta Claudio Willer ministra, neste sábado (7), aula magna sobre as influências do movimento nas artes e no mundo a partir dos anos 1950
O poeta beat Allen Ginsberg (Foto: Reprodução)

O poeta beat Allen Ginsberg (Foto: Reprodução)

Paulo Henrique Pompermaier

Dois amigos, Sal Paradise e Dean Moriarty, desprendem-se de seus lares e de posses materiais para empreender uma viagem de carro pelos Estados Unidos. Tendo a liberdade como horizonte, passam por situações envolvendo orgias e o consumo excessivo de álcool e drogas. Entre idas e vindas, a dupla chega ao México. Esse é o enredo básico de On the road (1957), clássico de Jack Kerouac que projetou mundialmente a literatura e os ideais de uma geração. Ao lado de nomes como Allen Ginsberg, William Burroughs, Michael McClure, Gregory Corso, Gary Snyder e Lawrence Ferlinghetti, Kerouac revolucionou a literatura norte-americana no final da década de 1950 ao lado da chamada geração beat.

São eles os protagonistas da mostra “Geração Beat”, que teve sua primeira edição entre julho e agosto de 2016 no CCBB Brasília e que acontece agora no CCBB de São Paulo a partir desta sexta (6). Entre longas, curtas e documentários, serão exibidos 37 filmes inspirados pelo movimento. Além dos clássicos – como o drama Mistérios e paixões (1991), adaptação de David Cronenberg para Almoço nu, de Burroughs -, há na programação dois documentários ainda inéditos no Brasil: Love always, Carolyn (2011), sobre a amante de Jack Kerouac, e American Road (2013), que explora a mística da estrada na literatura beat.

Apreciadores da vida boêmia e nômade, esses jovens artistas defenderam a liberdade em todos os âmbitos, tanto em suas vidas como na produção literária. Tornaram-se um símbolo juvenil da insurreição e inconformismo com os padrões estabelecidos. Para o poeta e ensaísta Claudio Willer, especialista na produção literária dessa geração, a prosa complexa e inovadora de Jack Kerouac, por exemplo, chega a ter proximidades com Joyce. “O que ele faz na criação com os sons das palavras, usando vocabulário próprio, alguma coisa de jargão franco-canadense, mais as palavras que inventa, o torna um colosso literário.”

No sábado (7), Willer ministra uma aula magna, às 17h30, sobre as influências do movimento beat nas artes e no mundo a partir dos anos 1950. Segundo ele, tudo aquilo que é chamado de “contracultura”, como as rebeliões juvenis a partir da década de 1960, têm ligações diretas com a cultura beat. “Quando Bob Dylan leu On the road deixou de ser Robert Zimmerman e saiu de casa.”

Na programação, ele destaca o documentário Magic trip (2011). Ambientado nos anos 1960, o filme narra a história de um grupo de jovens que viajou pelos Estados Unidos a bordo de um ônibus dirigido por Neal Cassady, sob o efeito de diversas drogas. “A Mostra expande em várias direções: desde o tratamento mais hollywoodiano até o mais complexo experimentalismo. Recomendo atenção aos documentários e aos curtas-metragens”, complementa.

Mostra “Geração Beat”
Onde: CCBB SP – rua Álvares Penteado, 112
Quando: de 06/01 a 29/01
Quanto: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)