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LUIZ PIRES
Um dos mais respeitados nomes do cinema brasileiro, Nelson Pereira dos Santos, 83, sempre se interessou pelos grandes intérpretes da cultura nacional, como Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Graciliano Ramos e, sobretudo, Jorge Amado.
Na entrevista concedida à revista CULT, ele fala da importância do escritor baiano para construir sua própria ideia de Brasil: “Ele me deu grande abertura para o popular da nossa realidade”.
Mas Jorge Amado, de quem Nelson Pereira dos Santos foi amigo, também foi decisivo em certos filmes que dirigiu, como Rio 40 Graus: “Sente-se [nele] a presença e influência fortíssimas de Capitães da Areia ou até mesmo do próprio Jubiabá”.
Nelson comenta também sobre sua formação humanística – “Entrei no cinema, mas minha formação básica é essa humanista e literária” –, o que ajuda a explicar seu grande interesse pela cultura letrada.
CULT – Neste ano se comemora o centenário de Jorge Amado, cujos romances Tenda dos Milagres e Jubiabá o senhor adaptou. Qual a importância desses filmes para sua carreira?
Nelson Pereira dos Santos – Acho que Tenda dos Milagres teve uma carreira internacional, viajou bastante, pelo fato de ser de Jorge Amado. Jubiabá foi uma coprodução com a França, originariamente francesa, que veio para o Brasil.
Jorge Amado sempre esteve em minha cabeça. Meu primeiro filme, Rio 40 Graus, tem o roteiro assinado por mim, mas, ao ver o filme, sente-se a presença e a influência fortíssima de Capitães da Areia, principalmente, ou até mesmo do próprio Jubiabá.
A única coisa é que os heróis do Jorge, naquele tempo, tinham o happy end quando entravam no Partido Comunista e, no meu caso, continuam sendo cidadãos da favela, sem essa determinação política que fazia o fecho do personagem, que nos anos 1930 era uma coisa audaciosa, bonita e promissora.
De qualquer forma, a presença de Jorge Amado em Rio 40 Graus é evidente. Os meus heróis são os meninos, com seu lado “capitães da areia”, que saem da favela e vão vender amendoim, no Rio de Janeiro, em um domingo, no verão… Cada um vai para um lugar, onde há turistas, futebol…
Confira a íntegra da entrevista na CULT deste mês.
Já nas bancas!