Mídia e poder na sociedade do espetáculo

A eleição de Dilma retomou o debate sobre a influência dos grandes conglomerados na opinião pública

Cláudio Novaes Pinto Coelho
Ilustração Adriano Paulino

Um dos principais equívocos sobre a sociedade contemporânea é o argumento de que o conjunto dos meios de comunicação, a mídia, é a instituição social mais poderosa. Fazem parte desse argumento expressões problemáticas como “sociedade midiatizada”, “cultura da mídia” etc.

Antes de mais nada, é preciso distinguir quais meios de comunicação possuem poder e que tipo de poder exercem. Não há dúvida de que conglomerados empresariais como as Organizações Globo, no contexto brasileiro, e a News Corporation, de Rudolph Murdoch, no contexto mundial, são exemplos de instituições poderosas, que movimentam enorme quantidade de capital, influenciam comportamentos individuais e coletivos e agem politicamente, defendendo seus próprios interesses e os interesses da sociedade capitalista de modo geral. De forma alguma essas empresas podem ser consideradas como fazendo parte de uma mesma instituição social, com todos aqueles que são produtores de mensagens e utilizam algum tipo de recurso tecnológico.

O conceito de “indústria cultural”, ainda que tenha sido criado por Adorno e Horkheimer na primeira metade do século passado, explica muito melhor a atuação dos meios de comunicação do que o termo “mídia”, pois destaca a dimensão econômica da comunicação. Adorno e Horkheimer, no livro Dialética do Esclarecimento, publicado em 1947, já indicavam que os conglomerados empresariais que atuam na comunicação são fundamentais para a existência da sociedade capitalista, mas que seu poder depende do poder dos conglomerados empresariais de modo geral.

Sociedade do espetáculo e capitalismo
A própria expressão “sociedade do espetáculo” pode dar margem a interpretações equivocadas, se for entendida como o poder que as imagens exercem na sociedade contemporânea. É certo que Guy Debord, o criador do conceito de “sociedade do espetáculo”, definiu o espetáculo como o conjunto das relações sociais mediadas pelas imagens.

Mas ele também deixou claro que é impossível a separação entre essas relações sociais e as relações de produção e consumo de mercadorias. A sociedade do espetáculo corresponde a uma fase específica da sociedade capitalista, quando há uma interdependência entre o processo de acúmulo de capital e o processo de acúmulo de imagens. O papel desempenhado pelo marketing, sua onipresença, ilustra perfeitamente bem o que Debord quis dizer: das relações interpessoais à política, passando pelas manifestações religiosas, tudo está mercantilizado e envolvido por imagens.Mas, se a sociedade do espetáculo só pode ser compreendida dentro do contexto da sociedade capitalista, isso não quer dizer que só nessa forma de vida social ocorre a produção de espetáculos.

A produção de imagens, a valorização da dimensão visual da comunicação, como instrumento de exercício do poder, de dominação social, existe, conforme argumenta Debord no livro Sociedade do Espetáculo, publicado em 1967, em todas as sociedades onde há classes sociais, isto é, onde a desigualdade social está presente graças à divisão social do trabalho, principalmente a divisão entre trabalho manual e trabalho intelectual.

Na sociedade feudal, por exemplo, o poder da nobreza sobre os servos estava vinculado à aparência de superioridade construída pelos nobres, mediante o uso de peças sofisticadas de vestuário, a construção de moradias com estilos arquitetônicos imponentes, a organização de festas suntuosas etc. O que permite a caracterização do capitalismo como a sociedade do espetáculo é o caráter cotidiano da produção de espetáculos, a quantidade incalculável de espetáculos produzidos e seu vínculo com a produção e o consumo de mercadorias feitas em larga escala.

O poder espetacular
Na sociedade capitalista, o poder espetacular está disseminado por toda a vida social, na qual há simultaneamente produção e consumo de mercadorias e de imagens, constituindo-se na forma difusa desse poder, conforme definição dada por Debord em 1967, ou ocorre vinculado à ação do Estado, de forma concentrada, com a produção de imagens para justificar o poder exercido por seus dirigentes.

Assim como o conceito de “indústria cultural”, o conceito de “sociedade do espetáculo” faz parte de uma postura crítica com relação à sociedade capitalista. Não são conceitos pensados de maneira puramente acadêmica, como capazes apenas de descrever as características sociais, mas fazem parte de uma construção teórica que procura apontar aquilo que se constitui em entraves para a emancipação humana.

Na década de 1960, Guy Debord e os demais militantes políticos e culturais aglutinados em torno da Internacional Situacionista destacaram-se pela capacidade de influenciar um dos mais importantes movimentos sociais do século 20, que contou com a participação de milhões de estudantes e operários e entrou para a história como o movimento de maio de 1968. Os situacionistas defendiam uma ação contra a alienação presente na vida cotidiana, postulando que os estudantes e os trabalhadores deveriam retomar o controle sobre suas próprias vidas, ocupando as escolas e fábricas e passando a exercer, com base em decisões tomadas coletivamente em assembleias, o poder nessas instituições. As ocupações aconteceram, mas fracassaram como estratégia para revolucionar a sociedade capitalista.

Em 1988, Debord publica os Comentários sobre a Sociedade do Espetáculo, reconhecendo que, em vez de a sociedade do espetáculo ser destruída, ela se fortaleceu no período histórico posterior às lutas sociais de 1968. Nesse texto, ele afirma que a produção de espetáculos tomou conta de toda a vida social; o poder espetacular manifesta-se agora de forma integrada, já que desapareceram os movimentos sociais de oposição, que se assimilaram à sociedade capitalista e não defendem mais sua superação.

A análise feita por Debord em 1988 a respeito do poder espetacular corresponde ao momento do triunfo do neoliberalismo em escala mundial. O neoliberalismo, com a defesa da liberdade de atuação para os grandes conglomerados empresariais, significou um retrocesso nas conquistas sociais dos trabalhadores, causando o avanço do desemprego, da precarização das condições de trabalho, e o enfraquecimento dos sindicatos, movimentos sociais e partidos de esquerda.

Com o neoliberalismo, o poder dos conglomerados comunicacionais fortalece-se e a indústria cultural, articulada mundialmente, transforma-se no porta-voz ideológico do capitalismo, desqualificando qualquer visão contrária a ele como ultrapassada, promovendo assim o pensamento único, em relação ao qual não há alternativa.

O contexto contemporâneo
A atual crise econômica, que se manifesta intensamente nos Estados Unidos e na Europa e faz com que somas gigantescas, na casa dos trilhões de dólares, sejam direcionadas pelos governos para “salvar” instituições financeiras envolvidas numa verdadeira orgia especulativa, está provocando um abalo significativo no neoliberalismo e no pensamento único.

Na América Latina, esse abalo teria começado antes, com a ascensão ao poder de líderes políticos considerados de esquerda. No entanto, não é muito fácil avaliar se essa ascensão significou efetivamente um abalo no neoliberalismo, já que, na prática, são governos com atitudes bastante distintas. No Brasil, por exemplo, em que pese a melhoria das condições de vida da maioria da população com a diminuição das desigualdades sociais, houve, em linhas gerais, uma manutenção da política econômica neoliberal. Além disso, nas campanhas eleitorais e durante os mandatos presidenciais de Lula ocorreu uma farta utilização das técnicas de marketing para a produção de imagens espetaculares capazes de garantir sua eleição, reeleição e altíssimos índices de popularidade.

Mas, de qualquer maneira, a realidade contemporânea possui elementos suficientes para que uma reflexão sobre a possibilidade de um retorno da crítica teórica e prática da sociedade capitalista do espetáculo se torne indispensável. No contexto brasileiro, a vitória da candidata Dilma Rousseff significou a retomada do debate sobre um eventual declínio da capacidade de os grandes conglomerados comunicacionais influenciarem a opinião pública.

Esse debate já havia acontecido à época da reeleição de Lula, quando a atuação desses conglomerados, com a divulgação intensa de “escândalos” envolvendo figuras importantes do PT, contribuiu de forma decisiva para a existência do segundo turno eleitoral, que, no entanto, foi vencido por Lula. Na campanha de 2010, a atuação dos grandes grupos comunicacionais, em especial a mídia impressa, foi ainda mais forte contra a candidata do PT, mas o resultado final foi o mesmo: houve um segundo turno vencido por Dilma Rousseff.

Um aspecto importante, que precisa ser levado em consideração, é que é a mídia eletrônica, em especial a Rede Globo de Televisão, a principal mídia capaz de influenciar a opinião pública em escala nacional, atingindo todas as classes sociais. Ainda que a cobertura eleitoral feita pela Globo possa ser considerada favorável à candidatura Serra, basta lembrar o destaque dado à “agressão” sofrida por Serra no Rio de Janeiro: em nenhum momento ela atingiu o caráter de uma ação sistemática de desqualificação da candidatura Dilma, como a cobertura feita pela Veja.

Também precisa ser levado em consideração que, em São Paulo, o PSDB governa o estado há mais de uma década, com total apoio da chamada grande mídia. Além disso, José Serra foi o candidato à Presidência mais votado no estado, evidenciando o peso das posturas políticas mais conservadoras, amplamente hegemônicas no jornalismo dos grandes conglomerados comunicacionais.

Embora o governo Lula não possa ser considerado um governo que rompeu com o neoliberalismo, só o fato de ele ter sido um líder operário eleito pelo partido que se afirma como defensor dos trabalhadores e com um passado político vinculado à defesa de posições de esquerda já foi suficiente para gerar uma forte onda conservadora na grande mídia, especialmente na mídia impressa. Se essa onda conservadora não foi capaz de superar a imagem positiva de Lula trazida principalmente pela retomada do crescimento econômico acontecida em seu governo, ela não pode ser deixada de lado e se fez presente com força na campanha eleitoral de 2010, principalmente em torno da questão do aborto.

Como o passado político de Dilma Rousseff é ainda mais problemático do ponto de vista do conservadorismo político, visto que ela se envolveu na luta armada contra a ditadura militar, é provável que a reação conservadora seja ainda mais forte do que foi contra o governo Lula. Caso isso aconteça, é possível que o governo Dilma avance no sentido de uma ruptura com o neoliberalismo, ou pelo menos na direção de uma postura ideológica de esquerda mais definida, diminuindo o uso do marketing político e da produção de espetáculos políticos, inclusive porque, se Lula dificilmente sairá do cenário político, ele não estará mais ocupando a posição central.

Cláudio Novaes Pinto Coelho é professor da Faculdade Cásper Líbero

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Comentários (18)

  • Reinaldo Fernandes |

    07/02/2011

    Muito coerente os pontos citados por Cláudio Coelho quanto poder midiático; porém é necessário lembrar que o presidente Lula não rompeu com neoliberalismo, foi mais um período de “manutenção” (termo usado pelo autor do texto) dos extremos. A condição de vida dos pobres melhorou, entretanto, a parte superior da pirâmide social manteve sua hegemonia. O que leva a perguta: os dois mandatos do ex-presidente realmente alferiu alguma representatividade do povo? Acredito que não;Lula fora eleito com devido ao passado sofrido (filho do Brasil?), contudo ele se posicionou ao lado do conservadorismo em seus oito anos frente ao Palácio do Planalto. Basta lembrar as ocasiões que ele ignorara o clamor do povo em nome da governabilidade.

  • Natan Oliveira Ferreira |

    08/02/2011

    Achei muito interessante seu texto. Ele questiona a hegemonia da opinião pública e a do suposto “quarto poder”. Agora, fica a pergunta: a espetacularização da imagem também não se dá/deu em governos ditos socialistas ou de esquerda? Já que a figura de alguns políticos era praticamente divinizada pelo discurso oficial.

    Parabéns pelo texto. Conclusão brilhante!

  • Shirley Claudia e Souza |

    08/02/2011

    A maneira como a mídia principalmente impressa se manisfestou durantes as eleições 2010 só reforça a ação partidária oposicionista que ela é capaz de exercer, desta forma descaracterizando a imparcialidade, característica essa que muitos meios de comunicação se gabam de ter, no entanto, é principalmente nos embates políticos que essa imparcialidade cai por terra.
    Jornais, revistas, TV’s e rádios se comportam como palco para que políticos exerçam papéis de atores. Inclusive com pretensões ao Oscar…
    Parabéns pelo texto.

  • Luciano Demetrius |

    12/02/2011

    A meu ver, Lula soube se comportar diante e com a mídia, desde seu primeiro mandato. Quando eleito, em 2002, concedeu duas entrevistas exclusivas à rede Globo; durante seu primeiro mandato, mesmo com as adversidades do escândalo do mensalão, conseguiu posar de vítima e de desavisado; favorecido pela popularidade, conseguiu fazer com que os profissionais da mídia tivessem certo zelo ao criticá-lo; Lula, ao certo, tornou-se um referencial, um “estudo de mídia”.

  • Leonardo Malgeri |

    12/02/2011

    Interessante você questionar os escândalos denunciados contra petistas, fazendo parecer que tudo se tratou de uma conspiração da mídia golpista, que você provalvemente chama de PIG. Faltou apenas você dizer qual das acusações contra Lula, o PT e Dilma se mostrou mentirosa. Erenice, Mensalão,Delúbio, Dirceu Cartões, coorporativos e dezenas de outras maracutais governistas foram denunciadas sim, por vários veículos – menos os bancados pelo governo federal.E o fato é que ERA TUDO VERDADE E NINGUÉM FOI PUNIDO.
    Quanto ao episódio da bolinha de papel, você é extremamente desonesto ou desinformado ao não comentar ação do SBT no episódio e a coincidente compra de parte do bando do Sílvio Santos por parte da Caixa Econômica Federal.
    Acho que seus leitores, por mais que se identifiquem com uma ideologia ou outra deveriam ter em você um elemento menos parcial.

  • André Luiz Rodrigues |

    13/02/2011

    Parabéns pela lucidez do texto. É importante ressaltar que o objetivo de uma liderança que postula um cargo executivo máximo, o de presidente da república, é de primar pela harmonia e paz social. Não se faz isso colocando segmentos da sociedade brigando entre si, com seus egos inflados e suas frustrações à flor da pele, para disputarem no tapa o “pedaço que cada um acha que é seu”. As riquezas produzidas pelo homem são uma ficção jurídica em que muitos se fiam para justificar seus poderes sobre outros, mas na verdade as pessoas não precisam desse lastro. As pessoas precisam de dignidade. E dignidade não necessita de opulência, nem da postura vaidosa habitual da classe média burguesa acostumada a disputar com a aristocracia: “quem é mais nobre?”. O que um governo precisa é simplesmente administrar a economia de um país sem produzir uma guerra civil declarada ou não declarada, em que um segmento social deve se “sentir sacaneado” para o benefício do outro. Somos uma coisa só: pessoas querendo ser felizes. Nisso Lula satisfez banqueiros capitalistas tacanhos e pessoas pobres do bolsa família: “esqueçam as diferenças e pensem que vocês são pessoas que podem dar e ter acesso à dignidade, sem que isso seja necessariamente, usurpá-la e abandoná-la. Ao invés de nos medir nessa competitividade imbecil, deveríamos viver uma vida menos neurótica…

  • José Expedito dos Santos |

    13/02/2011

    O espetáculo, no geral, toda a informação filtrada por imagem, cuja essência é pressuposta então à imaginação, essa por fim desligada do pensar e (insanidade?) do sentir, atua como plano de fundo para certa realidade como plano superficial. O horror, no filme Apocalypse Now.
    “Com o neoliberalismo, o poder dos conglomerados comunicacionais fortalece-se e a indústria cultural, articulada mundialmente, transforma-se no porta-voz ideológico do capitalismo, desqualificando qualquer visão contrária a ele como ultrapassada, promovendo assim o pensamento único, em relação ao qual não há alternativa.”

    O “sem sentido” mundo animal versus o “super sentido” mundo artificial. Desde minha primeira medalha escolhar, um mérito por ter sido o melhor aluno do 3ºano, aos 9 anos de idade, percebi atravez da reação imaginativa dos outros, que, se eu lutasse por cada vez mais mérito e “medalhas”, minha vida seria cada vez mais rica, em dinheiro e glórias, mas também estaria cada vez mais distante “dos meus próximos”.
    Naquela idade, talvez, senti a semente do general Kurts, mumificada em minhas entranhas; um “inconsciente” feroz que me cobra um preço exorbitante para não a deixar germinar em vida com DUAS MORTES anunciadas.

    Confesso que não é fácil entender um enunciado que parte diretamente da ‘razão e sensibilidade’, que faz uso da intimidade com os mesmos recursos da ‘mídia e poder’, mesmo quando a qual se prevalece pelo anúncio concomitante da ‘mentira e força selvagem do mais forte sobre os mais fracos’. Aos bravos e caros amigos, piaienses ou universais, e cults, meus sinceros votos de paz e amor e esperança na excentíssima presidente, Dilma.

    Se ‘no meio do caminho encontrar uma pedra’, “os olhos cheios de cores”, faça o que puder, não a destrua, contorne-a e siga enfrente para ‘o coração do Brasil’.

  • antonio kobler |

    14/02/2011

    a globo se f. !!!! em matéria de jornalismo e ideológico discurso neo liberal devido a internet ,….assunto bem pertinente ao brasil país de espetáculos onde as prefeituras gastam mais com sertanejo e axé do que com saneamento básico.
    a propria indústria do entretenimento entrou pelo cano com o digital. assange, egito, berluscone a coisa voa

  • Rafael Camargo de Pauli |

    14/02/2011

    O Prof Cláudio leva a crer que a mídia, ao combater as conditaturas de Lula e Dilma, está em defesa do sistema capitalista. Acredito que esteja errado. A luta em questão não é “Capitalismo” contra “Socialismo”, ou qualquer outra coisa “não-capitalista”. A questão é um grupo econômico ou alguns grupos econômicos que tem muito mais a ganhar com um governo mais liberal, que privilegie os setores mais tradicionais da economia contra um grupo político-ideológico com uma visão nacional desenvolvimentista.
    Acho que o Prof deveria ler um pouco sobre economia.

  • Wagner Belmonte |

    15/02/2011

    Talvez venha daí, professor, a resistência em discutir qualquer coisa que envolva uma discussão ética sobre os critérios adotados na seleção e no enfoque editorial dados a assuntos políticos. Muito legal o texto.

  • Gilda Azevedo |

    15/02/2011

    O texto está ótimo, muito claro e fácil de se entender. A sua conclusão tem um quê de premonição, pois suas palavras descrevem o “modo Dilma” de governar e de se relacionar com a mídia. Dilma está demonstrando que não se precisa de palco para ocupar um lugar de destaque no cenário político.

  • Marcos Brogna |

    15/02/2011

    Excelente artigo, professor. Lembra as boas discussões em sala de aula.

  • Marcelo Cardoso |

    16/02/2011

    Prezado,

    O parágrafo abaixo, escrito em seu artigo, resume muito bem o que penso sobre a contemporaneidade:

    “Com o neoliberalismo, o poder dos conglomerados comunicacionais fortalece-se e a indústria cultural, articulada mundialmente, transforma-se no porta-voz ideológico do capitalismo, desqualificando qualquer visão contrária a ele como ultrapassada, promovendo assim o pensamento único, em relação ao qual não há alternativa.”

    Apenas para citar uma amostra, basta um observador atento perceber que os conteúdos veiculados pela mídia são cada vez mais homogêneos e menos críticos. O espaço que se tem atribuído ao futebol na mídia eletrônica, em detrimento da abordagem de outros assuntos, é um dos problemas que vão ao encontro desta ideia.

    Parabéns pelo belo artigo,
    Marcelo Cardoso

  • solange whitaker |

    21/02/2011

    Cláudio,
    Parabéns pelo texto. Lúcido, você faz uma síntese do papel da mídia durante as eleições de 2010. Contribui para o esclarecimento do que vem a ser a sociedade do espetáculo, a espetacularização da vida como forma de mercadoria nas suas mais ínfimas particularidades. A vida alienada pela imagem, a imagem da vida reificada.
    Solange Whitaker.

  • Edu Rocha |

    08/03/2011

    Sempre pertinentes as preocupações do excelente professor Cláudio. Mas, tenho a impressão de que Dilma sofrerá sim pressões, quando o momento for conveniente para a direitalha do país, mas que, com o perfil político e com as alianças que fez, Dilma esteja distante de uma ruptura com a pauta neoliberal. Isto significaria uma ruptura com a base governista que, digamos a verdade, é composta pelo tipo de gente mais promíscua politicamente que existe no país. Creio que ela esteja muito distante de qualquer rumo oposto ao neoliberalismo.

  • Carlos Renier Aguiar Azevêdo |

    11/03/2011

    Acho que uso da midía tem favorecido muito os políticos para manipulação de massa atingindo seus objetivos funestos , nem sempre aqueles que estão tem a midía a seu lado são os melhores perdemos muitos , quando não somos critícos .

  • Renato R Borges |

    12/03/2011

    Sou professor do Instituto Mackenzie e gostaria de parabeniza-lo pelo artigo, estou utilizando em minhas aulas de sociologia.

  • Adelmar Henrique Campolina de Lira |

    08/05/2011

    Esta linha de análise deve fazer parte do projeto pedagógico das escolas e das discussões. Devemos lembrar sempre, incansavelmente, que a pior coisa para qualquer povo é a alienação. E a mídia em todos os lugares do mundo tem dando a sua contribuição para a manutenção do status quo, por motivos menos nobres, em sua maioria.