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Cláudio Gonçalves Couto
Muitos pontos poderiam ser considerados numa análise crítica dos anos da presidência de Luiz Inácio Lula da Silva: um realinhamento do sistema partidário (com a bipolarização nacional entre PT e PSDB, os demais partidos representando satélites desse movimento), a ascensão aos estratos inferiores da classe média de um largo contingente de brasileiros que durante décadas viveram em condições de pobreza, a projeção inaudita do Brasil no cenário internacional (a partir do protagonismo do presidente e de ações pouco afeitas à nossa tradicional postura de perfil baixo), a retomada de níveis satisfatórios de crescimento econômico etc. Ater-me-ei aqui à significativa alternância dos grupos sociais que ganharam acesso ao centro do poder nacional e à guinada nos termos do debate político nacional.
A chegada do ex-líder sindical à Presidência da República, em 2002, foi o ápice, no Brasil, do longo processo de “circulação de elites”, segundo a concepção do economista e sociólogo italiano Vilfredo Pareto (1848-1923). No seu dizer, a circulação de elites é um lento fenômeno de transformação dos grupos superiores de uma sociedade, refletindo o conjunto de suas mudanças. Por esse processo, em vez de rupturas revolucionárias – que ocorreriam em decorrência da incapacidade das velhas elites de atualizar-se mediante a absorção dos elementos emergentes –, o que se verifica é a mescla entre os novos e os velhos setores dirigentes. Assim, pela absorção paulatina dos indivíduos mais notáveis (os líderes) das camadas sociais subalternas, as antigas elites são capazes de perpetuar-se em chave lampedusiana, ou seja, “mudando para que nada mude”.
Circulação de elites no Brasil de Lula
Uma forma de encarar essa atualização conservadora é supor que de fato nada mudou, tendo-se apenas cooptado os líderes das classes subalternas de maneira que as mantenha em sua posição de mansa inferioridade. Em tal perspectiva, essa incorporação dos antes excluídos seria o preço que as classes dominantes pagariam para manter-se por cima, sem de fato ceder nada de relevante. O curioso é que Pareto, ele mesmo um conservador, reconhecia na incorporação dos novos elementos uma condição necessária ao revigoramento da classe dominante. Esta, ao mesmo tempo em que absorve os oriundos dos setores emergentes (a antiga não elite), livra-se de seus membros mais degenerados. Trata-se, assim, de um processo de reciclagem por meio do qual permanecem apenas aqueles membros da velha elite capazes de adaptar-se aos novos tempos. Para esses, e apenas para eles, o que “nada muda” é a sua condição de componentes da elite dominante, embora mudem seus companheiros de viagem – alguns chegam, outros caem pelo caminho – e, como consequência, muda também o rumo a ser seguido.
É em virtude desse último aspecto da mudança que se pode afirmar que a transformação promovida pela atualização conservadora da circulação de elites não é tão irrelevante quanto poderia parecer à primeira vista. O exemplo clássico pensado por Pareto é a Inglaterra, que promoveu a circulação de elites mediante a mescla entre a burguesia ascendente e uma aristocracia que optou pelo próprio aburguesamento. Não apenas os nobres britânicos passaram a conviver com outro grupo social, o qual anteriormente rejeitavam, mas também assumiram muito de seu modo de ser – tendo sido a recíproca inteiramente verdadeira. Os novos caminhos a serem seguidos, contudo, foram os ditados pelo grupo ascendente, rumo a um poderoso capitalismo. Por isso mesmo, é tão notável que a Grã-Bretanha tenha conjuminado a síntese entre a economia capitalista mais avançada do planeta e a preservação mais efetiva das tradições nobiliárquicas – um cenário muito diverso do estabelecido na França, onde a resistência da nobreza à emergência burguesa levou o país ao cadafalso da Revolução; ali, as elites não circularam.
A lenta e relativamente tranquila transição social e política brasileira, na medida em que possibilitou que mesmo os segmentos politicamente mais radicais fossem paulatinamente incorporados à disputa do poder nacional, facilitou que também experimentássemos a nossa circulação de elites. Um dos reflexos mais visíveis da mistura de classes no cume do Estado é a heterogeneidade sociopolítica da coalizão de governo: convivem antigos militantes da esquerda clandestina, antigos apoiadores do regime militar, políticos direitistas tradicionais, sindicalistas da geração do final dos anos 1970 e começo dos 1980, acadêmicos, empresários e lideranças de movimentos sociais. O que pode parecer à primeira vista mera inconsistência ideológica é, na verdade, a face mais aparente do processo de mescla sociopolítica do qual Lula é a liderança mais notável.
O elemento digno de nota do fenômeno histórico da liderança de Lula decorre de duas características, ambas convergindo na política democrática. Em primeiro lugar, está sua capacidade de chefiar a heterogênea coalizão resultante do processo de circulação de elites, conferindo-lhe coesão política. Por meio do voto, mas também mediante o sucesso de suas ações de governo na obtenção da aprovação popular, o líder político proveniente dos setores subalternos obtém a legitimidade necessária para congregar setores díspares que, num passado nem tão distante, se mostravam incapazes de coabitar. Em segundo lugar, está o fato de que, num país como o Brasil, por decênios figurando entre os mais desiguais do planeta, a chegada às chefias de Estado e governo de uma liderança política originada dos estratos sociais mais baixos é, por si só, bastante significativa.
Não casualmente essa mesma liderança promoveu seu ingresso na cena política nacional a partir de uma experiência pessoal de ascensão social: Lula saiu da condição de pau de arara para ingressar, como trabalhador formal, no setor industrial mais desenvolvido do Centro-Sul do país; algum tempo depois se converteu justamente na liderança mítica desse mesmo setor avançado, vocalizando as demandas de uma parcela da população que portava, ao mesmo tempo, a modernidade econômica e a subalternidade política e social. A consequência prática imediata (porém não inevitável) dessa atuação foi a estruturação de uma agremiação partidária que, entrando na cena político-eleitoral, abriu espaço para o ingresso dos emergentes no ambiente governamental e representativo. A partir desse momento, num país que se democratizava, seria muito difícil negar-lhes legitimidade, caso se mostrassem bem-sucedidos; foi a política democrática que abriu espaço para o ingresso, no âmbito estatal, das lideranças oriundas do processo de modernização social. Noutras palavras, foi a consolidação da democracia que permitiu a concretização da circulação de elites.
Quanto às consequências políticas concretas, esse processo de circulação acarretou uma inflexão das políticas governamentais e do discurso presidencial na direção dos setores subalternos mediante políticas de renda, de caráter tanto distributivo (como o Bolsa Família) como redistributivo (como o aumento real do salário mínimo). Tais políticas, associadas à estabilidade monetária e à retomada do crescimento econômico, com o consequente aumento do emprego formal, também impactaram positivamente a renda dos setores mais pobres. Isso contribuiu para inverter a base de sustentação político-eleitoral de Lula (ainda que não do PT), alavancando muito fortemente a popularidade do governo e do presidente (assim como sua votação) entre os cidadãos de (cada vez menos) baixa renda. Desse modo, se até 2002 Lula e o PT eram mais fortemente apoiados pelos trabalhadores sindicalizados e pelas classes médias escolarizadas, a partir de 2006, embora o partido tivesse mantido sua base tradicional, o presidente seguiu rumo aos setores sempre mais marginalizados. Desse modo, a direita tradicional, que já carecia de um representante dotado de densidade eleitoral nas disputas nacionais, viu-se definitivamente deslocada da possibilidade de construir autonomamente um projeto próprio de poder no plano federal. Isso é o que talvez explique como o velho PDS (hoje PP), herdeiro da Arena do regime militar, outrora ideológico, se converteu num partido de adesão fisiológico, prestando-se até mesmo a dar sustentação a um governo liderado pela principal agremiação de esquerda do país. Fechou-se assim o círculo da transformação de nossas elites governantes.
A crise moral do PT e a “política pós-ética”
Embora seja fácil compreender a guinada do eleitorado mais pobre rumo a Lula em função de seus ganhos econômicos, não é esse mesmo fator que explica a debandada de um grande contingente das classes médias. Apesar de existirem os discursos de viés mais claramente reacionário, como os que tacham de “assistencialista” qualquer política de distribuição de renda (apelidando de “bolsa-esmola” uma política enaltecida até mesmo pelos técnicos economicamente ortodoxos do Banco Mundial), o fator determinante para o afastamento dos setores médios foi a crise moral vivida pelo PT – sobretudo a partir do escândalo do chamado “mensalão”. Aquele que outrora figurara como o “partido da ética na política”, apresentando-se ao eleitorado como o “grilo falante” do país, viu-se enredado num escândalo para o qual a melhor explicação encontrada foi afirmar que nada mais fizera do que agir da mesma forma que todos os demais. Ora, mas era exatamente aí que residia o problema: por sua reputação – demoradamente construída – de algoz moral da nação, o PT não poderia permitir-se agir como os demais. Ao fazer isso, despencou vertiginosamente do altíssimo pedestal que havia erigido para si mesmo.
A revelação de adesão aos piores costumes nacionais, feita pela boca do próprio Lula, contribuiu para o desencantamento moral da política brasileira, desnudada aos cidadãos principalmente pela prestimosa e sardônica verve de Roberto Jefferson. Mas, se tais traços eram realmente tão característicos da política nacional, só poderia mesmo ser ilusório o espaço que, num certo momento, pareceu abrir-se à oposição: o da “ética na política”. Tal senda, como se poderia esperar, rapidamente esvaiu com o surgimento de outros mensalões, que solaparam um a um os principais partidos nacionais que ainda gozavam de algum crédito e capacidade de atuar como protagonistas no plano nacional – o PSDB e o PFL (já em sua surrada roupa nova, de DEM).
Desse modo, não sobrou muito espaço para mistificações éticas construídas em torno da busca de um “partido dos puros”, e a política nacional foi reduzida a suas devidas (e mais realistas) proporções: um âmbito da vida social no qual a distinção entre os atores relevantes não se dá entre os “éticos” e os “não éticos”, mas sim entre os que defendem políticas de tipo diverso ou simplesmente disputam o poder de Estado. Nessa hora, diante da perturbadora desaparição das referências morais, os que mais atavicamente se punham contra ou a favor de seus antigos grupos de referência logo encontraram subterfúgios retóricos para justificar a manutenção das posições políticas: postaram-se contra o “neoliberalismo” (esse que, no Brasil, foi sem nunca ter sido) e contra o “aparelhismo” (aquele que só existe quando é feito pelos outros). Mas esses biombos são mais facilmente transponíveis do que as velhas ilusões éticas.
Pode-se dizer que nos prestaram um favor os sucessivos escândalos da era Lula (tanto os que atingiram petistas como os que respingaram em seus opositores): guindaram-nos a uma política pós-ética, bem menos ingênua do que aquela que muitos (sobretudo eleitores petistas) acalentaram durante muito tempo. Nesse novo cenário, as preferências políticas podem se apresentar de forma mais clara (como o que de fato são) e talvez até sobre um espaço para que esquerda e direita voltem a se mostrar de forma nítida – mesmo sem estarem hoje tão distantes uma da outra, como já estiveram no passado.
Gostei do texto. Bom ler algo escrito com o ânimo não tão acirrado como andamos nessa época. Gostei da análise usando os conceitos do Pareto.
Sobre a questão da ética é uma área complicada mesmo. Mesmo sabendo que devemos cobrar e cobrar espaços para o controle social de verdade (não o controle da mídia reaça) é complicado usar isso como bandeira e este foi um erro do PT(embora lhe tenha dado condições de chegar onde chegou). Ter o moralismo como bandeira hoje não é mais como antigamente, por isso temos a morte prematura do PSOL.
Vou digerir as informações dessa análise, acho que será bem útil.
Apenas uma parte do texto destinada ao Mensalão. E mesmo assim tentando contextualizá-lo em um cenário no qual coexistiriam outros mensalões, dando a entender que estes seriam apenas um reflexo daquele.
E a boa vontade do autor com o PT e o Lula chega ao extremo de considerar como um favor prestado a nação os casos de corrupção em que eles, partido e presidente, foram parte ativa. Será que alguém consegue engolir tamanha parcialidade? Será que é tão difícil perceber que não existem aspectos positivos em algo tão asqueroso como foi o Mensalão?
Dar enfoque na questão ética não encobrirá os milhões que essa gente desviou dos cofres públicos.
Queria apenas pontuar que a questão da ética não pode ser analisada objetivamente, pois, conforme Bóbbio, a ética na política está na ascenção ao poder. E portanto não se pode falar de pós-ética sem ser moralista.
O jeito que é feito é uma questáo cultural e de profundidade democrática, o que se reflete no caso do chamado mensalão ou mensalões.
O que importa , e o que não foi discutido, é que a ascenção de Lula mostrou também o real valor da política como cenário legítimo de crescimento social e pessoal, indo contra a onda do liberalismo do fim do séc XX, dominado pelo hiper financismo e corporações transnacionais, que quer acabar com o debate essencialmente político num sistema representativo.
Do blog do Reinaldo:
claudio capetini
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25/07/2010 às 15:39
Reinaldo sem paixão digo que a imprensa está comprada e pautada pelo governo. Sou assinante da revista CULT, considerava essa publicação um raro exemplar especialmente na área filosófica. Entretando a edição 148 traz um “dossiê sobre a Era Lula. É impressionante ver a superficialidade e partidarismo das reportagens sobre as áreas de atuação de Lula. O que me impressionou foi a forma como foram tratados os assuntos, diria um tratamento elementar, raso, superficial e tendencioso. Me surpreendi e fui procurar na revista algum anunciante oficial: contra-capa da revista: Caixa Econômica Federal. Pode até ser coincidência, mas… Séria apenas triste se não fosse um método sistemático que vemos tomar conta da imprensa brasileira. O PT invade nossos lares e nossa vida tentando nos doutrinar, tentando nos domesticar. Estamos vivendo dias muito sombrios no Brasil. Penso em não renovar minha assinatura da CULT não quero ser manipulado, isso não.
Os chavões “de esquerda” e “de direita” são fraudes intelectuais que não se sustentam, pois não possuem significado lógico no universo do comportamento humano. O primeiro pressupõe pessoas voltadas para combater a desigualdade social; o segundo voltado para pessoas insensíveis a essa condição humana.
Toda instituição pública ou privada é constituída por pessoas. Cada grupo de pessoas, de qualquer natureza, possui “objetivo de grupo” orientado para ações determinadas, no sentido de atender aos interesses dessas pessoas que compõem o grupo. Os grupos empresariais, políticos, religiosos, ideológicos, etc, são exemplos disso.
Certamente é o comportamento das pessoas, com interesses convergentes, que determina o comportamento delas ao se agruparem. Os grupos se organizam para operacionalizarem suas ações e alcançarem seus objetivos. Geralmente propõem um conteúdo doutrinário com sentimentos, princípios e valores, como um paradigma, para orientar as ações do grupo e as relações com a sociedade circundante. Nem sempre essas proposições são cumpridas com o decorrer do tempo.
Em 1972 recolhi anotações sobre uma tese que vinha desenvolvendo no sentido de compreender porque existem as desigualdades sociais e as violências decorrentes dessa condição. Em 1976 foram formulados os conceitos de comportamento “ativo” e “reativo”. O primeiro significando uma relação justa, solidária e harmônica como condição qualitativa de convivência social; a segunda uma relação injusta, individualista e conflitiva(reativa), onde fatores econômicos, de “status” social e de conteúdo intelectual, fazem diferença, dando origem às classes.
Esses conceitos foram testados durante nove anos em uma comunidade-fazenda de adolescentes infratores, que eram encaminhados pela polícia e por juízes da comarca. O treinamento de uma equipe técnica era feito continuamente e partilhada com todos os funcionários que tinham contato com os menores.
Todos eram totalmente livres para expressar-se, todavia eram obrigados a cumprir um regulamento elaborado e discutido por eles, em grupos de dez, votados por eles, com a participação de funcionários e apresentados para homologação pela equipe que não podia alterar seu conteúdo final.
Eram oferecidas alternativas de profissionalização em marcenaria, cerâmica, mecânica de autos e outras, bem como a organização de eventos esportivos e festividades. Mas eles podiam fugir a hora que quisessem e não era permitido castigo físico de qualquer natureza, pressão psicológica ou indução.
Continuo…
Essa foi uma experiência difícil, porém muito interessante, que comprovou que o comportamento reativo (conflitivo) é diretamente proporcional ao autoritarismo, à violência física e também à restrição da liberdade de expressão.
Estou resumindo porque é um estudo extenso do qual resultaram vários textos e livros como: “O manual da Comunidade-Escola”, “A Origem da Violência” e “Viver eu Quero, Conviver é preciso!”, nenhum deles publicado para o grande público.
Rememorando:
Os chavões, as “bandeiras mobilizantes” e a propaganda, efetivamente empregadas, servem para induzir grande número de simpatizantes para uma determinada causa. Porém o comportamento das lideranças dessa causa precisam se afinar com os sentimentos, princípios e valores das diferentes camadas da sociedade envolvente. Se isso não acontece a motivação e o interesse de certas camadas pode arrefecer; ou mesmo, alguns setores discordantes podem se insurgir contra as lideranças.
Costumo dizer que o inconsciente coletivo aceita, até certo limite crítico, as incoerências e os atos irregulares de seus líderes. O comportamento ativo (ético, construtivo) sempre é exigido por todos no convívio social, mesmo quando há interesses pessoais envolvidos.
Existe uma prática ocorrente entre as sociedades Ianomami não aculturadas, estudada pelo etnólogo francês, Pierre Clastres, publicado no livro intitulado “A sociedade contra o Estado”. Uma frase que não é deles, mas resulta da interpretação desses estudos, poderia ser escrita assim: “…a natureza humana é frágil. Os civilizados nunca conseguirão lidar bem com grandes doses de Poder”.
Resumindo: A concentração de renda, de Poder, o autoritarismo e a limitação da liberdade de expressar-se conduz sempre ao Comportamento Reativo, que se manifesta através de guerras, revoluções e outros diferentes tipos de Violência.
É por essa razão que não me filio a nenhum grupo que conduz “bandeiras”, faz promessas impossíveis de cumprir ou promete a vida eterna. No final as frustrações decorrentes desses objetivos não conseguidos remetem quase sempre a comportamentos reativos (destrutivos).
Aceito discordâncias…
Estão usando o site do Ministério da Fazendo para divulgar notas em defesa de Lula em defesa da não prestação de contas ao sindicato alemão, na década de 80.
Veja: http://www.fazenda.gov.br/resenhaeletronica/MostraMateria.asp?page=&cod=457310
Sempre disse aos filhos e amigos que a coisa mais burra que se pode fazer é MENTIR E FRAUDAR. São ferramentas de bandidos e marginais. As pessoas de bem acabam se afastando de quem pratica esses hábitos. A CREDIBILIDADE é um passaporte para a convivência saudável e insere o individuo na sociedade.
Talvez, por essa razão, o PT e sua quadrilha venham se autodestruindo e se associando a outros malfeitores já bem conhecidos. O seu destino é o de se manterem como quadrilhas, formarem guerilhas e associarem-se aos narcoterrorristas. Um destino pouco promissor para quem fala em CIDADANIA.
Ótima análise. Leve articulação da teoria das elites de Pareto com o contexto político, sem se descuidar de aspectos de ordem econômica. Só acho que poderia distinguir a ética na política da do meio social que é o que parece acontecer. Porém o descuido, como bem destacou o autor, está nas elites presentes no poder, simbolizada por Lula, se atentarem ao que o autor chama de a política de tipos diversos em detrimento a disputa somente pelo poder do Estado. Este ponto pode levar, assim, a outro pensamento interessante, a existência da heterogeneidade e negação do ato político entrelaçado simplesmente aos fins.
Entristece-me o pensamento binário do Pedro Berti. Parece que ele pouco do texto entendeu. Parece que avançamos com o analfabetismo funcional.
Caro Henrique, mais triste do que o meu pensamento binário é a sua velha e prosaica tática de tentar desmerecer uma opinião divergente com uma ofensa. Isso só revela que você talvez não tenha ainda a maturidade suficiente para entender nem meu comentário, nem a matéria em si.
Ademais, na parte que não me toca, o seu comentário é composto de um circunlóquio terrível, parecendo até que você deseja afetar uma interpretação a mais, que na realidade não existe no texto. Ou alguém consegue explicar de maneira razoável essa frase: “existência da heterogeneidade e negação do ato político entrelaçado simplesmente aos fins”.
Ah, e a ética política só difere da ética social quando analisamos o contexto político segundo o pensamento hegeliano. Tendo a achar que essa não foi a intenção do autor.
Jamais agradou-me a mudança de certos aspectos do comportamento do PT, imposto a ele por si mesmo, visando à vitórias em eleições presidenciais.
Sem dúvida, melhor seria algum outro caminho que mantivesse o partido fiel
à suas bases e a ideais há muito tempo defendidos por ele.
Ideais inseparáveis da história do partido tanto quanto o é a sustentação dele, durante boa parte de sua existência, pela militância de sua base.
Entretanto, não creio que haja um só petista que preferisse uma história do partido que não envolvesse, pelo menos, duas Presidências da República a outra que envolvesse não mais que sucessivas derrotas do candidato Lula.
O episódio “mensalão”, ainda que não corroborado pelos fatos – o que houve sim foi a comprovação do velho “caixa dois”, indissociável da política brasileira e presente nas campanhas de todos os partidos relevantes – de fato maculou a imagem do partido levando à evasão de muitos de seus eleitores.
Por outro lado, as excelentes avaliações tanto do presidente quanto do governo, números próximos a 80%, demonstram a sua aprovação pela maioria, como convém à democracia, apesar da clara ligação do presidente ao PT.
Parece-me portanto que, em que pese o “mensalão”, quando a atual imagem do presidente é considerada, o balanço entre a depreciação causada pelo episódio e o resultados positivos das ações do governo é positivo. Dado o vínculo entre o partido e o presidente, o PT certamente beneficia-se dos bons ventos que levam adiante o ex-metalúrgico.
Estou entre os que vêm o “mensalão” como um engôdo criado pela grande mídia com a finalidade de arruinar o PT, e, por efeito cascata, o presidente.
Tratou-se de uma tentativa de “demonizar” o partido justamente em momento em que ele “foi pego fazendo coisa”, caixa dois, que todos os partidos faziam e fazem.
É claro, houve sim a decepção de muitos com o mensalão, contudo não foi por isto que o PT passou a ser visto como mais um no mesmo patamar em que se encontram os conservadores PSDB e DEM.
Houve sim desapontamento com o partido dos trabalhadores, mas não houve de forma alguma a disseminação da idéia de que “os partidos são todos farinha do mesmo saco”.
O histórico do PT o diferencia do PSDB e do DEM, o primeiro e os outros sempre estiveram em claro antagonismo, jamais lutaram do mesmo lado contra
um rival comum, são sim antigos opositores.
A ética do PT sempre foi voltada ao combate à desigualdade social, agora no poder suas ações demonstram claramente sua postura favorável aos historicamente desfavorecidos, ferrenhamente combatida pelos conservadores.
A ética petista, antes ou depois do “mensalão”, sempre foi marcada por preocupações e ações em favor daqueles aos quais partidos como o PSDB e o
DEM sempre relegaram.
O PT não é de fato ingênuo, como não sou todos os outros, entretanto é inegável que, em qualquer escala imaginável, o patamar ético em que se encontra é, em muitas unidades, superior àquele em que se encontram o PSDB e o DEM.
Quero parabenizar a revista Cult pelo dossiê “A Era Lula”.
Na minha opnião, achei a iniciativa ótima. Não achei que os textos são a favor do governo, ou qualquer coisa assim, interpretei de forma mais neutra. Achei os textos ótimos. Não acho que isso seja manipulação, bem pelo contrário. Vocês expuseram fatos, cada um toma partido. Política é como religião, cada um escolhe seu caminho.
Parabéns, e um abraço a equipe.
Ética? Como? Quando existe um sistema mundial que favorece a competição à semelhança do “mundo selvagem”?
Eu sei que estas questões é o mesmo que “ainda” questionar se o planeta é redondo mesmo, se a “realidade” existe mesmo, etc., mas não entender o processo Lula/PT, descrito nessa matéria Cult/Julho/2010, apesar do sinistro exemplo da Inglaterra, é de uma profunda irracionalidade; nas regiões abissais do irracional, onde nem o bem nem o mal ainda não se caracterizou, por falta de educação(!!!), quem comanda tudo é a força de sobrevivência.
Ainda a sobrevivência, individual e ou de pequenos grupos, permeia todas, repito: todas, as classes sociais no Brasil.
Um forte abraço, mesmo sem o conhecer pessoalmente, ao Luiz Gonzaga.
gora,fico pasmo como esses intelectuais, a maioria de gabinete, não vai à campo, sao de gabinetes é isso! informar como pode um Brasil como o nosso ser dominado por duas ou tres familias seja na midia seja na industria, esportes, etc, etc, etc, essas vao querer dividir um pouco com nós os miseráveis? que democracia é essa mesmo? e por que fora uns poucos operários, as familias passaram e continuam aqui com toda sua imponência?
cARO Claudio Capetini,você nao acha que dias sombrios vivemos na era do FHC?Ai que medo do PT que invade nossas casas,só faltou dizer que os petistas comem criancinhas….Que coisa mais patética e antiga.Eu recomendo prá ti a leitura da veja,cruz credo!!!!
Senhores intelectuais,
Vocês já saíram de suas casas ou conhecem a realidade apenas através de suas leituras?
Se existiu ética na política nunca vi nem nesse nem nos governos anteriores.
Puxa, muito legal a análise da trajetória de Lula sob a luz da teoria de Pareto, me pareceu muito bom o poder explicativo.
Só não concordo com a idéia de que os escândalos da era Lula farão surgir uma política pós-ética. Por mais que não se veja uma indignação geral com atitudes de uso privado dos recursos públicos, alguns acontecimentos parecem apontar para um movimento ético pós-partidário (ou ainda supra-partidário). A mobilização em torno da lei #fichalimpa e as iniciativas de ordem local a partir de exemplos como o da Amarribo, estão ai pra serem consideradas.